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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Em São Paulo e Interior

Como custei a escrever! É que a gente quando está de férias pensa que não vai fazer nada e acaba fazendo tantas coisas...tudo de bom! Começo hoje minha última semana antes de voltar para Israel no dia 30. Nova fase, novo tempo em busca de cumprir a vontade do Senhor como Aliança Missionária. 

Resolvi postar então, algumas fotos muito especiais da fase São Paulo antes de voltar para o Rio, que tem sido a fase final. Acima está a Anginha, ou Dra.Angela, minha amiga de Indaiatuba que me acolheu em sua casa num fim de semana quando fui fazer revisões médicas em Campinas. A Angela foi a pessoa responsável por me ensinar a amar os gatos. Esta gatinha fofa é a Dindin.

Tomando sorvete em Indaiatuba. 
Melhor dizendo, almoçando sorvete...

D. Fares Makroun arcebispo católico melquita de São Paulo.  Fui com a Angela à missa na catedral no domingo e a celebração eucarística foi belíssima, meio em árabe  meio em português. Interessante foi saber as melodias aprendidas em Haifa, mesmo que a pronúncia das palavras seja meio duvidosa na precisão... foi uma grande experiência. Bendito seja Deus!
Ao sair de Indaiatuba, Campinas, segui para São Paulo para encontrar-me com a Ir. Trindade, serva do Espírito Santo, de 80 anos, uma pessoa importantíssima no nascimento e na divulgação da Renovação Carismática no Brasil, uma pessoa importantíssima na minha vida. Com ela aprendi a rezar carismaticamente, a abrir-me aos dons do Espírito Santo, a impor as mãos com compaixão e a louvar a Jesus desde a minha juventude. Um dos primeiros grupos de oração do Brasil nasceu em 75 no colégio Imaculado Coração de Maria e se chamava 'Água Viva' tendo a Ir. Trindade como coordenadora. Ela sem dúvida foi minha primeira mãe espiritual sendo a mãe espiritual de muitos espalhados por este Brasil. No momento com certas limitações físicas se encontra em São Paulo na casa das irmãs idosas da sua congregação. No entanto a cabeça continua boa e o coração livre, amando Jesus e contemplando-o a cada dia. Nestes quase dois dias que estivemos juntas pude visitar o quartinho onde a Trinity vive - foto acima e a salinha do computador - foto abaixo - onde ela escreve para os amigos e amigas, tendo vencido a barreira do medo da tecnologia. Muito linda e muito amada a Ir. Trindade!

Na salinha do computador Ir. Trindade Campos, S.Sp.S, tendo em mãos um livrinho que escrevi e que imprimi para que ela pudesse ler. Nas horas que passamos juntas ela me mostrou uns textos que tem escrito para contribuir com o boletim da congregação e partilhamos também um bocado sobre a vida espiritual. 

Ir.Trindade tem uma praticidade muito sábia e umas tiradas muito bem humoradas. Partilho uma: ela me disse que na vida consagrada homens e mulheres acabam vivendo o oposto que Jesus viveu pois ele foi do escondimento à ação enquanto os religiosos passam, na maioria das vezes, da ação ao escondimento, à contemplação. Dura tarefa de kenosis e empobrecimento que os une a Jesus de um jeito novo e total. E completou: 'da ação passei à contemplação e não sabia o que era contemplação, até começar a aprender e a entender que contemplar na terceira idade é perceber a ação de Deus nas pequenas coisas ao meu redor, em mim mesma e aí encontrar o amor e a presença constante e fiel de Jesus'.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Está tudo bem

Tem gente que anda preocupada com o meu sumiço semana após semana. Agradeço pelo amor manifestado nos emails recebidos, pela vontade de saber mais de mim por pura amizade...De fato ando muito cansada e passei esta última semana fazendo uma tradução de última hora para ajudar um irmão de Roma que estava organizando uma reunião de autoridades da Comunidade, chamda Regional, que deve ter começado hoje à noite. Esta tradução me roubou o restinho de tempo livre que tenho a noite. Ainda faltam 5 páginas que tentarei mandar amanhã. Hoje preferi descansar minha cabeça escrevendo este post com jeito de diário e de email, meio desabafo e partilha para falar com meus leitores e amigos. 

O texto, do italiano para o português, me deu um pouco de trabalho porque nem dicionário eu tenho, mas foi verdadeira pérola do Amedeo Cencini, dom da providência divina para me ajudar a viver este tempo que vivo. O texto fala sobre a crise na vida dos consagrados. Como enfrentar a crise de maneira saudável e inteligente, quais critérios escolher para que ela não se perca em seu valor de desafio e de crescimento, e seja encarada somente como inimiga e fonte de dor. Crise é para ser vivida com verdade, com critérios espirituais e muita vontade de crescer no auto-conhecimento e no conhecimento de Deus. Nem todo mundo tem coragem de abraçar uma crise e simplesmente passa por cima dela ou vive-a por cima, na supercialidade.

Não sei se estou em crise porque meio adoentada e cansada - continuo tossindo principalmente à noite e não há o que fazer - ou se meu organismo está gritando porque estou em crise. Não há dúvida que vivo o fim de um ciclo, pelo menos sinto assim, completando três anos de missão em junho, e me vejo avaliando, ponderendo dentro e fora de mim tudo o que foi feito e alcançado. Esta avaliação não deixa de ser dolorosa porque exige transparência, aceitação dos limites, um olhar sincero de gratidão quando olho para trás e esperança quando olho para frente, sendo que o processo acontece simultâneo. No coração, porém, as avaliações não acontecem como dados estatísticos, frios, elas têm a carga das minhas emoções, do meu olhar feminino sensível, da minha humanidade tantas vezes exigente, da minha sede de liberdade na vontade de Deus. Jesus está perto, bem perto, mas o tempo que vivo é de poda e purificação, de limpeza, de adubar as raízes e cortar os excessos, de enxergar-me melhor para melhor ver o Senhor. Sinto que preciso de férias, como quem vai para uma estufa, assim como vão as orquídeas para dar mais brotos ressurgindo para um novo ciclo, uma nova fase, de mim mesma como missionária, como consagrada, como flor. 

Agradeço o carinho de quem entende e reza pelos missionários, por mim pessoalmente, com tanta amizade em Deus. Gente que só me conhece virtualmente sem saber o tom da minha voz ou a força do meu abraço, mas que acompanha as batidas do meu coração, parte dos meus pensamentos nas simples experiências humanas-espirituais que vivo como leiga missionária em Israel partilhadas às vezes com tanta subjetividade neste blog. Gente que testemunha meu desejo sincero de evangelização com as palavras e com a vida, sempre apontando para o coração de Jesus ressuscitado, fonte da paz, fonte do Espírito. Vivo hoje a certeza de que sou como Tomé e preciso ainda mais tocar o coração de Jesus e nele permanecer sendo, simultaneamente, pescadora de Tomés no desejo de que mais pessoas façam a minha mesma experiência contínua de morte e de ressurreição encontrando o Amor vivo de Deus, encontrando o seu Shalom.
Eu estou bem, eu vou sobreviver e vou tentar em meio à crise escrever com mais frequência até poder dar a boa notícia que vou tirar férias!