quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Os amigos do Céu

Desde ontem penso muito na popularidade dos santos e do porquê eles nos atraem: com certeza é porque eles e elas nos apontam as realidades eternas e nos 'empurram' para Deus, para Nosso Senhor.
Por ter lido um pouco mais os escritos de Sta.Teresa d'Ávila esta semana, e hoje festa de Sta.Margarida Maria de Alacoque, vejo como a vida destas mulheres, com as devidas diferenças culturais e circunstanciais, se assemelhavam às nossas, nas incertezas, imperfeições, vontade de acertar e sede de liberdade. Sta.Teresa diz, com todas as letras, o quanto passou a sadiamente desconfiar de si mesma, de sua 'bondade', e de quanto passou a confiar e se entregar irrestritamente à misericórdia de Sua Majestade. Foi já adulta, com 47 anos, que Teresa passa por uma 'segunda conversão' que a leva ao trato sério de amizade com Jesus, e sério aqui não significa circunspecto, mas visceral, que é como ela define oração: um trato de amizade, que exige tempo, lugar, dedicação, amor, busca e encontros.
Também me chama atenção e partilho aqui hoje, o quanto Teresa diz ser saudável e necessário pedir a Deus - ao Espírito Santo - o dom do arrependimento, o dom de chorar pelos próprios pecados e erros, para que as lágrimas lavem a alma e a inebriem da misericórdia e do amor louco do Pai, que tudo perdoa, que corre ao encontro, que cobre de beijos como está descrito em Lucas 15. Mas esta graça é uma graça espiritual e sobrenatural, é dom do amor de Deus e não tem nada a ver com culpa, auto-comiseração, justificativa, hiper-reflexão. Talvez tenha muito mais a ver com a célebre oração de S.Francisco, rezada por toda a vida e ouvida por seus primeiros companheiros: Senhor, quem és Tu? e quem sou eu?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia de Santa Teresa, esta grande professora!

Fui surpreendida esta manhã com uma chuva fria e forte que me fez lembrar os anos vividos em SP, quando saía para trabalhar munida de sombrinha e de sapato fechado, pois a cidade ia chorar o dia todo. Depois, no CE, aprendi que chuva é festa, é coisa para se contemplar, é coisa pouca, de contadas semanas e caracteriza o que os nordestinos chamam de inverno.
Como será por aqui, em Israel? Havia muita satisfação pela chuva de hoje pois, mesmo a Galiléia sendo muito verde e coberta de árvores e pinheiros, com kibbutz por todos os lados, a estiagem estava por demais longa, interferindo no nível de água do Mar da Galiléia ou Lago de Tiberíades, que é a mesma coisa, reservatório e única fonte de abastecimento de água doce do país, segundo me explicaram. A chuva então, bendita, foi resposta de Deus para judeus, cristãos e muçulmanos, e trouxe certo alívio, pois quando ela começa, dura um tempo.
A chuva rápida e forte de ontem lavou toda a natureza ao redor, e fez subir aquele cheiro inconfundível de terra molhada que agrada não somente as narinas, mas o coração e faz a gente sorrir. Ao descer para Haifa de ônibus a paisagem era simplesmente deslumbrante. Acho que foi um mimo de Deus esta minha primeira chuva na Terra Santa! Falo assim porque este era o vocabulário de Santa Teresa d'Ávila, cuja festa se celebra hoje. Esta era sua maneira de denominar os sinais de amor que recebia de Sua Majestade, Jesus, seu grande Amigo e Senhor: ela os chamava de mimos.
Quantos mimos recebi hoje! Além da chuva e do friozinho que começa a se apresentar entrecortando os últimos dias quentes de verão, tive a alegria de receber email de meus amigos professores no dia do Professor. Pude lembrar assim, desta minha profissão que mais do que uma capa que sobrepuz a mim, é quase um estado de alma herdado e descoberto no decorrer da vida: partilhar o conhecimento e aprender junto com outros professores e com os próprios alunos. Bendito seja Deus por todos os professores e professoras que tive ao longo da vida, sendo que alguns, seguramente, foram e são verdadeiros mestres e espelhos, saídos da própria família, nas gerações que me precederam. Benditos alunos que tive e para quem fui professora!
Mais um mimo: também em 15 de outubro minha irmã e meu cunhado fazem 20 anos de casados! Partilho com eles a alegria de tantos anos vividos em comum - eles lá no Rio de Janeiro - tendo a coragem de não desistirem quando o amor se esconde e toma jeito de renúncia e exige perdão e, com passo firme, continuarem a se amar e a querer se amar, como dom recíproco.
Eles têm uma família linda de três jovens: Gabriel-Bimbo, Alessandra-Lélis e Bruna-Filhote-de-tia-Ena. Quanta saudade! Deus os abençoe e os mantenha unidos até o fim. Queria hoje poder comer uma pizza com eles e toda a família do Rio, deixando-os depois saírem para namorar um pouco...
Por fim, como Comunidade e Vocação Shalom, homenageamos Sta.Teresa d'Ávila, que é esteio e baluarte da nossa espiritualidade. Ela nos aponta a oração profunda, fiel e demorada, comprometida, como caminho seguro de encontro com o Amado e o Esposo do coração de todos os homens, o Senhor Jesus Cristo, o grande Amigo. Santa Teresa é aquela que fala da Amizade de Jesus com os corações, com o coração de cada pessoa que se aproxima dele.
O dom de Deus, a primazia de sua graça para que nós conheçamos e façamos este trato de amizade com Jesus, nos é garantida, mas isso não torna menos trabalhosa a vida de oração. Como é difícil rezar! Como é trabalhosa esta fidelidade, esta busca, este cavar até encontrar a pérola preciosa... mas ela está lá, no fundo da alma, da nossa alma, em quem tem sede de Deus, tem sede da paz e da segurança de Sua presença.
Fiquei com vontade de perguntar aos meus amigos e amigas: qual foi a última vez que você foi sozinho ou sozinha, para um lugar tranqüilo, passar um dia inteiro em silencio e oração, sem celular, sem notebook, sem mp3, sem poder e querer ser acessado, simplesmente acompanhado de sua bíblia, um caderno, uma caneta e seu coração aberto para se derramar na presença do Senhor e poder beber e se encharcar do Seu Amor? Qual foi a última vez que você largou todos os afazeres na confiança de que o mundo não ia acabar, e ficou com o Seu Salvador, o Seu Amigo, com Jesus, aquele que te conhece por inteiro e te ama por inteiro? Quando foi a última vez que você simplesmente foi para perto do Pai com o seu coração de menino ou menina, deixando que Ele te amasse e descomplicasse suas complicações e nós?
Ser missionário e ser pobre tem essas vantagens: a gente faz isso com menos dificuldade. A saudade de Deus e a determinação de buscar esta Amizade, porém, este encontro de amor com o Pai das Misericórdias, é possível para qualquer um que queira. Aí está o segredo: dar atenção ao desejo que se esconde dentro do coração.
Partilho aqui, por último, um pedaço de um poema de Sta.Teresa que ganhei hoje no sorteio, em casa, e que foi o mimo mais pessoal de todos pois traduz bem os anseios e perguntas que tenho em mim. E diz assim:
Se me quereis descansando, por amor o quero estar;
Se me mandais trabalhar, morrer quero trabalhando.
Dizei: onde? como? e quando?
Dizei, doce amor, por fim:
Que mandais fazer de mim?
Que mandais fazer de mim?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Não arrefecer

Acredito que todos estejam lendo e acompanhando o Sínodo em Roma, sobre a Palavra de Deus e e S.Paulo, por causa do ano dedicado a ele, o querido apóstolo. Para quem ainda não conhece, gostaria de apresentar um outro site de notícias da Igreja, além do http://www.zenit.org/ que traz notícias fundamentalmente escritas, que se chama http://www.h2onews.org/, que é muito interessante porque traz filmes e imagens, vale a pena conferir. Quem quer, se cadastra para receber diariamente uma newsletter no idioma da sua preferência - tem até árabe! - e pronto, fica ainda mais informado sobre tudo.
Preocupante no momento é a perseguição covarde e injusta que tem sido feita contra os cristãos-católicos na Índia, que têm sido obrigados a sair de suas casas sob perigo de morte, se refugindo sei lá aonde. Várias dezenas de famílias já morreram! E as autoridades não fazem nada porque, se defenderem esta minoria da população que é cristã, contra a violência de extremistas hindus, podem perder votos nas próximas eleições que se aproximam...
Eu tive que vir para Israel para começar a entender e ver como há cristãos que sofrem por causa de sua fé em Jesus e na Igreja, sua Amada Esposa, neste mundo... Peço demais a misericórdia de nosso paciente e bom Senhor, para a minha omissão na evangelização e na ousadia de levar verdadeiramente uma vida de santidade e compromisso. Como diz o Moysés, 'qual foi a última vez que meu coração participou do sofrimento de Deus pela Humanidade?'.
Como é fácil a gente viver uma vida cristã, sacramental, subjetiva e acomodada, numa zona de conforto onde nada me perturba, onde tudo está seguro e assegurado, e onde eu não sou capaz de sofrer nada de nada, nem uma contrariedade, nem uma renúncia por causa do Reino de Deus...
S.Paulo, intercede por nós, de vida consagrada ou não, mas eleitos de Deus, para que a nossa conversão e encontro com a pessoa de Jesus se assemelhe a tua e que o nosso coração arda de parresia, de desejo incansável de evangelizar com a vida, com a palavra, com a oração, com o compromisso, com tudo o que se tem e tudo o que se é!
Não deixem de checar os sites indicados e de interceder pelos cristãos e católicos que sofrem diariamente por causa de sua fé! Amém.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Shalom porque hoje é Yom Kippur!

Ontem ou anteontem uma senhora judia puxou conversa comigo no ônibus, em hebraico primeiro, depois passamos para o inglês, e entre amenidades sobre a alegria de ter nascido em Haifa e ser criança quando da criação do Estado de Israel, vi quanto a população judia trata com desprezo a população árabe, como se a tolerasse. Não é a primeira vez que vejo um judeu falar, por exemplo, que o motorista dirige mal, que a rua está suja ou tal lugar não vai pra frente porque a pessoa ou seus habitantes são árabes! Fico com muitas dúvidas se é por preconceito ou por conceito estabelecido e enraizado de que os judeus são melhores que os árabes, tratados e 'deixados' aqui na terra como que por condescendência... Ao chegar na parada que ia descer, a senhora me desejou um belo: Shalom! My best wishes for a Happy New Year! E me lembrei que mesmo a expressão shalom tendo perdido a força do seu significado bíblico original para a população que fala hebraico, passando a corresponder ao nosso corriqueiro: oi! tudo bem!, para mim, Shalom, significa o Shalom de Jesus Morto e Ressucitado! Daí que acolhi o cumprimento de todo coração, desejando o 'meu Shalom' para ela, que celebrou o ano novo judaico na semana passada, dia 30 de setembro.
Hoje é a celebração da festa do Yom Kippur, dia do perdão amplo, geral e irrestrito aos escravos e aos inimigos, os de dentro de casa e os externos...só não se arrisque a passar de carro ou mesmo a pé, no bairro ou nas proximidades do bairro dos judeus ortodoxos pois eles jogam pedra mesmo, pelo desrespeito, pela afronta, porque hoje é dia santo, é dia de recolhimento e para quem desrespeita, não tem perdão! Ironia...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Que tristeza!


Quero deixar registrada aqui a minha tristeza pela não eleição do meu irmão de Comunidade, Zé Nilson para a prefeitura de Quixadá. A cidade merecia um homem e um administrador da estirpe dele: homem de Deus, de verdade, coerente, de oração e conversão. Pai de família leal e vocacionado, bom nas relacionamentos humanos e na gerência criativa de poucos recursos, como tem feito por quinze anos com a Maternidade Jesus Maria José e com a Faculdade Católica Rainha do Sertão. Missionário consagrado da Comunidade de Aliança Shalom, pessoa de total confiança do bispo emérito, D.Adélio Tomazin, pessoa em quem se pode confiar, porque tem coragem e fé, ética e ficha de vida verdadeiramente limpa. Eu imagino a dor para todos que o cercaram e o apoiaram, arregaçando as mangas e dando tudo de si para que a mudança acontecesse. Mas parece que ainda não chegou a hora de Deus para este novo acontecer em Quixadá, pois ainda não aconteceu no coração das pessoas, os eleitores. O novo na ética, o novo na gestão dos recursos, o novo na valorização das pessoas segundo o que Deus pensa e quer para seus filhos. Ainda há muito que se educar em política na nossa nação...

Zé, obrigada por tudo! Fico meio sem palavras porque quando a decepção e a injustiça batem à nossa porta, há que se calar e olhar para Aquele que conhece todas as dores e nos aponta Sua Cruz gloriosa como esperança e sentido para tudo. Por ter sido a revisora do seu belo livro 'Mãos Múltiplas', me atrevo a dizer que 'te conheço' um pouco e por isso imagino que será no seio da família, no silencio diante da Imaculada, lá na serra, em oração, que você encontrará no seu Senhor o sentido para esta dor e a coragem para tomar fôlego - e também uma cerveja! - e seguir em frente como um homem que cada vez mais, mesmo não eleito para prefeito, tem se tornado referência e modelo para jovens, políticos e pessoas, qualquer pessoa que luta pelo bem comum, seja no Ceará, seja em qualquer município deste país!


Parabéns Zé pela sua vitória como cidadão, como filho de Deus, não somente por quatro anos, mas no decorrer de toda a sua vida!

sábado, 4 de outubro de 2008

Eleitos de Deus

Por ser hoje festa de S.Francisco de Assis, o baluarte masculino da vocação Shalom, (Sta.Teresa d'Ávila é o baluarte feminino), nós tivemos uma pequena celebração na varanda da nossa casa, antes do café da manhã, para louvarmos o Senhor por tão grande santo que nos 'empurra' para Deus, sempre. Francisco nos ensina a tudo dar e a amar a Dama Pobreza, ainda hoje, no século XXI, para que Deus esteja no centro de nossas vidas, não como uma ideía, mas como realidade. Ele nos fala também do coração pequeno e simples, sempre grato, sempre disposto a louvar o Pai das Misericórdias. Mesmo tendo sido breve, o momento de oração foi marcado pelo abandono nas mãos do Espírito Santo, para que Ele leve à plenitude a obra iniciada em nós, leigos consagrados na vocação Shalom. Como sinal simbólico de nosso desejo de tudo dar, de sempre recomeçar, de novamente perdoar, cada um plantou pequenas sementes num pedaço do jardim, como sinal de que continua disposto a morrer para si mesmo para que possa haver algum fruto para o Reino de Deus. Assim que terminamos, tiramos esta foto. Vou aproveitar para tecer algum comentário sobre cada pessoa das duas missões, de Haifa e Isifya, que até segunda ordem, moram todos juntos - os rapazes dormem num apartamento que existe no subsolo do asilo, e fazem todas as refeições e atividades comuns na casa onde moro.
Na ordem: atrás temos a Yara, cearense de Fortaleza, que tem toda a família, pais e irmã, na Comunidade de Aliança. Ela é a atual formadora comunitária, há dois meses foi transferida para cá de Nazaré, e é a caçula da casa. Ela tem um jeito meigo, feminino, e muita vontade de amar e acertar. Toca violão e tem uma voz bela e afinada, forte, que surpreende diante do seu corpo pequeno e magro. Gosta de plantas e de desenhar. Se determinou a estudar o árabe e se comunica bastante bem, mais agora que exerce seu ministério no asilo. Na frente: Andréa, baiana de Salvador, aliança missionária como eu, a quem vim substituir na Cúria, no trabalho com o bispo, grande radialista. Rimos muito com suas distrações e quando desata a fazer programas de rádio como se estivesse ao vivo. É apaixonada pela lingua inglesa e quer muito servir a Deus, encontrando seu lugar na Vocação e na Comunidade. Está aqui há um ano mas não fala o árabe. Escondida atrás do noivo, vemos a Silvânia, pernanbucana, 'mãe da casa', batalhadora, mulher inteligente de grande coração. É lindo vê-la louvar o Senhor. É uma irmã e tanto e é quem tem a paciência de passar henna no meu cabelo de três em três semanas. Trabalha no asilo e é a dispenseira da missão, como se diz nos mosteiros, aquela que tem a árdua tarefa das compras da alimentação, com o dinheiro sempre curto.Tennessee, de quem eu falo sempre e que mora aqui há 4 anos, é um pequeno grande irmão, cearense até a medula que , com a Silvânia, formará uma bela família na Terra Santa. Terão filhos israelenses-brasileiros que aprenderão o árabe e o hebraico, além do português, e com seus pais, serão instrumentos de paz e reconciliação neste país. Acho que eles nunca mais voltam para o Brasil. O Tennessee ama a cultura árabe, os cristãos árabes, e quer dar a sua vida até o fim por este povo, para que o Shalom de Deus, a salvação chegue ao coração do homem que mora aqui, seja árabe, seja judeu. Ele é um homem de oração que se parece com o Moysés. É brincalhão, muito centrado e disposto a concretamente sacrificar-se e calar-se para o bem comum. Sabe o que quer e é sempre bom aprender e conversar com ele. Depois vem o Tales, cearense também, que está voltando para o Brasil em novembro, depois de um ano e meio aqui, trabalhando com os jovens. Talvez fique mesmo em Fortaleza servindo nas jornadas de evangelização que são sua grande paixão apostólica. Segurando o quadro de S.Francisco temos o Leandro, do Amapá, que do alto de seus 1,88cm esconde um bondoso coração, brincalhão, às vezes infantil mas responsável e sedento de Deus. Trabalha no asilo com os idosos. É o meu sobrinho e companheiro de caminhada, de cozinha, de lavação de louça. Nos damos muito bem! Ao meu lado temos a Viviane que é a alegria da casa: espontânea, barulhenta, adora doce - como eu - cozinha muito bem, é prestativa, dinâmica, simpática e responsável. Tem as lágrimas no bolso, como se diz na minha família, mas também o coração. É a única que fala hebraico e é quem toma conta da pastoral judaica em Haifa, além de trabalhar no Centro de Evangelização. É outra para quem virei tia! Por fim, a Lorena, responsável pela missão de Isifya e de Haifa, e quem está há mais tempo aqui: 6 anos. Tem muita experiência de inculturação, fala bem o árabe e ama este povo e esta terra. Boa administradora, já sofreu e superou muitas dificuldades e desafios na missão, inclusive o mês de guerra em 2006, junto com Viviane e Tennessee. Pessoa de humor estável, brincalhona, muito reservada, mesmo sendo boa de conversa e boa de garfo. Tem profundo amor e compromisso com o Senhor e com a vocação. Se santifica administrando o asilo, os funcionários do asilo, e respondendo por todos nós diante das 'autoridades locais'. Eu a chamo de gata, por causa do seu jeito meigo mas ressabiado, mas é uma pessoa em quem se pode confiar. Ela foi um grande instrumento de Deus ao orar por mim na reciclagem de 2007, para que eu acabasse partindo em missão...e viesse parar aqui!


Este é um detalhe mais próximo meu com o ícone e a famosa oração de S.Francisco. Também queria mostrar o meu vestido novo (pode rir!), que na verdade é uma bata, que eu quis usar neste dia de festa, de começo de meia estação. Festa de S.Francisco e festa em Ibillin, pela ordenação de dois novos sacerdotes (casados!), na diocese da Galiléia. Ao sairmos do café da manhã festivo, viajamos meia hora para assistirmos o esfuziante e cansado bispo Elias Chacour, sagrar dois novos sacerdotes para o povo de Deus, para a vinha do Senhor como ele disse na homilia. Foi linda a cerimônia com ritual próprio, greco-melquita, cheio de música e muita emoção. Não foi tão solene quanto outras ordenações que já assisti, no rito latino, mas valeu a pena, e teve seu encanto e unção próprios. O que mais me chamou a atenção foi o fato dos padres serem casados e ser a família, esposa, pais e os filhos já jovens (no caso de um dos neo-sacerdotes que já passou dos 40), a lhes entregarem os paramentos. Foi emocionante! Nesta foto abaixo temos o bispo num momento da cerimônia abençoando o povo. Ao seu lado temos dois abunas que trabalham na Cúria: Maher e Fouzi.


Outro momento da celebração, após a leitura do Evangelho, feita pelo neo-sacerdote, Abuna Michel, quando ele entrega o Evangelho ao bispo.


Consegui tirar esta pérola de foto, com este casal idoso de uma vila bem do interior da Terra Santa, que mostra como se parece um casal árabe-cristão que já vivia nesta terra antes de Israel ser criado. Na maioria destas vilas, estes cidadãos da terceira idade são, na maioria, pastores, cristãos, falam somente o árabe, tem quase nenhuma influência judaica e tem um jeito acentuadamente humilde e santo, radicalmente comprometidos com Jesus e com o Evangelho. Eu fiquei encantada por ter sido apresentada a eles e por descobrir, na minha ignorância, que este véu usado pelo senhor não é típico dos muçulmanos, mas é anterior à religião de Maomé, é típico dos árabes, beduínos, inclusive dos cristãos. Bendito seja Deus em todos aqueles que são seus!



Minhas palavras finais para quem me leu até aqui, foi a alegria de pensar mais uma vez nos insondáveis caminhos de eleição de Deus, que escolhe Franciscos e franciscanos no decorrer da história, árabes, palestinos, há dois mil anos, latinos, melquitas, de todos os ritos, todos católicos e, nestes tempos atuais, nós leigos, para levarmos Sua Palavra e sermos fiéis testemunhas de Sua Ressurreição e de Sua Cruz onde estivermos. Como shalomita, esta vocação tão nova diante da grande Tradição e riqueza da fé Católica, mas não menos suscitada pelo Espírito, e confirmada pela Igreja, no dia de hoje, com Francisco e todos os santos e santas de Deus, O louvo por poder conhecê-lO e por entender cada vez com mais clareza, que esta é a pérola mais preciosa que se pode receber na vida!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Senhor está no meio de nós!

Missa celebrada no sábado passado, 27 de setembro de 2008, no salão de entrada da 'Maison de la Fraternité', ou 'Old People's House', ou simplesmente asilo dos idosos da vila de Isifya, como nós chamamaos em casa, que é gerenciada pela Comunidade Shalom há pelos menos dois anos - depois eu confirmo esta informação - desde que as religiosas francesas que trabalharam aqui por quase 50 anos, voltaram para sua terra de origem. O bispo então pediu que o Shalom assumisse este trabalho, nos cedeu para morar a casa onde as cinco irmãs viviam, daí os cinco quartos, e nos delegou esta árdua missão, que é cuidar dos mais pobres e sozinhos que muitas vezes, também aqui, são os 'velhinhos e velhinhas', mesmo não sendo este termo politicamente correto. Correta porém é a necessidade e a dedicação daqueles meus irmãos que exercem seu apostolado e santificação aqui. Esta foto foi tirada no fim da celebração, por volta das 18h. Estão presentes os idosos cristãos que quiseram e puderam participar, algumas pessoas do grupo de oração de Haifa (vieram cinco), nós do Shalom e o pe.Bonaventure, carmelita americano que chegou há quase um mês para viver seu ano sabático lá no Murahkah, junto com o profeta Elias e pe.Alberto, mexicano, de quem eu já comentei, nosso amigo e confessor.


Esta senhora lindinha de mais de 80 anos, de origem libanesa, nasceu no Brasil, em São Paulo e se chama Victória. Ela fala três ou quatro frases em português pois seus pais voltaram para o Oriente Médio quando ela tinha sete anos e ela perdeu completamente o contato com os parentes brasileiros. Ela é uma doçura de pessoa...dá prá notar não dá?

Aqui temos o padre Bonaventure, sorridente e simpático. Ele celebrou em inglês, as respostas foram dadas em árabe, pela assembléia, como também as músicas, muito bem tocadas e escolhidas pela Yara e o Tennessee, que são estes irmãos da foto abaixo. O glória foi cantado em português e a homilia foi feita em inglês a traduzido para o árabe pela Lorena. Um verdadeiro Pentecostes!



A grande graça desta celebração eucarística, além das razões óbvias da celebração em si mesma e todo o mistério contido da presença de Jesus que se manifesta, foi estarmos juntos, todos juntos. Me explico. Esta missa que passará a ser quinzenal, com plena autorização do nosso bispo Elias Chacour, é um passo de unidade entre nós, que estávamos juntos como Corpo de Cristo, como Carisma Shalom de duas missões, Isifya e Haifa, unidos àqueles irmãos a quem servimos e com quem convivemos diariamente, seja no asilo, seja no Centro de Evangelização. Não houve queima de fogos nem holofotes, nem tampouco tanta gente, como se vê na primeira foto, mas o Senhor estava no meio de nós e Ele derramou o Seu Espírito consolador em muitos corações, especialmente no dos idosos que depois, no lanche, manifestaram a sua alegria. Foi o Shalom do Pai sendo doado abundante e escondidamente nesta Terra Santa, a terra de Nosso Senhor!