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terça-feira, 6 de julho de 2010

Novidades

Acho que minha inquietação destes dias tem uma única razão: quero aquilo que tomo mundo mais deseja que é liberdade e amor. Quero mais liberdade, quero mais amor. Mas voar e amar se aprende aos poucos e lentamente. E eu não tenho paciência nem comigo nem com os outros e como Deus é todo Ele Liberdade e Amor e é Ele quem me treina e ensina, é Ele também que define os ritmos e os treinos, os exercícios, os duros exercícios. Não adianta brigar em minha petulância ou desânimo. As aulas de asa-delta de Deus são nos ventos que Ele soprar e no tamanho das asas que Ele quiser. Estou impaciente e sofrendo também. Caem por terra as máscaras daqueles que voam e treinam ao meu lado e somos todos necessitados. Difícil é admitir isso para mim mesma, e admitir para os outros quase impossível. Tememos a rejeição quando vistos em nossa miséria e mais, em nossa dor e vulnerabilidade. Temo eu, teme tu. Somos todos desprovidos de asas verdadeiras...

Penso que os santos, são aqueles que não temem mais serem vistos naquilo que são ou não são e por isso se tornam leves. Suas energias são gastas não mais tentando esconder-se em discursos religiosos - estou tão cansada dos meus discursos - mas em voar e amar com simplicidade e alegria, seja como um beija-flor seja como águia, aceitando as asas que lhes dá Jesus, a medida perfeita de cada pessoa. A dureza é aceitar aquilo que se é. A dureza é aceitar que ninguém muda ninguém. Mas o maior de todos os desafios é aceitar e querer de verdade voar o vôo livre dos filhos de Deus, como pessoas individuais e como corpo comunitário, sabendo que muitas vezes nossas asas vão se esbarrar. Das duas uma: ou a gente cai e se esborracha e desiste ou rememda as asas e continua treinando. Acho que estou remendando minhas asas.

Eu disse que tinha uma novidade e tenho. Finalmente, em minha quinta tentativa nestes dois anos, consegui uma vaga para estudar o Hebraico no curso oferecido pelo estado de Israel para imigrantes e estrangeiros que se chama Ulpan. O curso que comecei no fim de 2009 foi meia boca demais... Mesmo tendo perdido uma semana de aula, a professora ontem, muita segura e com jeito competente de quem sabe o que faz - viva a diferença de se encontrar um bom professor - me tranquilizou de que tudo vai dar certo. É sempre uma experiência prazerosa e infantil sentar-se pela primeira vez numa sala de aula. Um bando de adultos escondendo ansiedade de criança diante do novo. Maya a professora, montes de Tatianas e Ludmilas, alguns Wladimir no ambiente esmagadoramente russo, uma filipina e eu, brasileira. Vamos ver no que vai dar este ritmo de aulas até dezembro, quatro vezes por semana, das 5 às 8 da noite, pelo qual já passaram antes de mim Viviane e Cristina com ótimos resultados. A diferença são os quinze anos de memória muito mais usada que a delas, mas Deus é mais e como meu anjo da guarda me acompanha alguma coisa há de entrar.

Se alguém quiser dar parabéns diga: mazal tov!

domingo, 4 de julho de 2010

Quando o Evangelho se Concretiza

E o Brasil voltou para casa e a Argentina também... Agora é torcer para o Uruguai, pois é time latino-americano, mas eu acho que quem leva a Copa é a Alemanha. Tem um lado bom neste fim da euforia, as pessoas voltam a se preparar melhor para as eleições porque voltam à real. Mas é de outro assunto que eu quero falar.

Estes dias me caiu a ficha de que tenho feito uma experiência incrível e muito concreta do Evangelho, provando que a Palavra de Deus é viva e real, mais uma vez! É o texto que fala das promessas para aqueles que derem a vida por amor a Jesus e ao Reino de Deus. Os três evangelhos sinóticos falam deste assunto: Mateus 19, 29, Lucas 18, 29-30 e Marcos 10,28-30 e nos três é Pedro quem pergunta a Jesus o que receberiam eles, os primeiros apóstolos e discípulos, por terem largado tudo e seguido o Cordeiro de Deus.

Todos os textos falam do cêntuplo já nesta vida e no fim, a vida eterna. O que já é uma senhora promessa, pois tantas vezes nos esquecemos que nossa vida é um sopro. Viemos da eternidade e para lá voltaremos. Mas voltando aos evangelistas, Marcos é bem preciso na lista que apresenta apesar de ser o mais sintético dos evangelistas. Ele descreve com exatidão aquilo que se perde e o que se ganha: casas, irmãos, irmãs, pais, mães, filhos, terras. O que é singular vira plural, como no caso de casa, terra, pai e mãe e o que era plural, é multiplicado por cem no caso de irmãos, irmãs, filhos e filhas. O sabor do Reino fica por conta das perseguições e incompreensões, que nos fazem viver na Cruz e a partir dela como discretamente fala S.Paulo na epístola aos Gálatas 6, leitura da Liturgia de hoje. Ele se gloria na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, não da Cruz como objeto externo e temido. As perseguições nos empurram à dinâmica do sofrimento que salva e esconde o maior Amor e nos fazem conhecer Jesus de um jeito mais íntimo.

Não tenho dúvida de que por misericórdia e fidelidade de Deus tenho conhecido outros pais e outras mães que no mistério da comunhão dos santos fazem este papel e me protegem, escutam e me apontam e desafiam a continuar crescendo na dinâmica libertadora da vida no Espírito, crescendo em santidade, nas virtudes, no perdão, no louvor e na alegria, no não medo do sofrimento e das perseguições... São pessoas incríveis! Mesmo com todos os limites impostos pela missão e as circunstâncias que me cercam em Israel, o Senhor tem me dado pessoas para quem sou filha e para quem aos poucos aprendo a ser também mãe e irmã. É uma belíssima e viva ação do Espírito que me dá gratidão e coragem para enfrentar as dores e perseguições que mesmo tendo a companhia do próprio Senhor Jesus, não deixam de doer um bocado. Tem doído um bocado mas também elas me fazem ser testemunha assim, de que a Palavra de Deus é viva e eficaz.

Me perguntaram outro dia se eu voltaria para o Brasil, e se eu voltasse o que faria? Respondi que sinceramente não sabia, mas pensando bem, acho que sei. Sei que posso esperar a Palavra de Deus se cumprir integralmente no que diz respeito a casa, terras, ou seja ao que diz respeito a sustento e ao futuro, pois tudo vem do Senhor e para Ele volta, e Ele é fiel. Como não cuidará de mim e de cada um que deu a Sua vida por amor a Ele?