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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um testemunho sobre a Confissão - in English :-)

Gente do Céu,
como fruto da minha experiência no retiro de Yom Kippur eu escrevi um testemunho-artigo que acabou sendo publicado ontem no site da Pastoral Hebraica (http://www.catholi.co.il/)
que cuida dos judeus católicos de Israel.
Está em inglês mas espero que o Google translator de uma ajudinha para quem precisa.
E vamos em frente desejando a cada passo a vontade de Deus que é sempre amor, ofertando a nossa vida ao mais amoroso Pai e Senhor que poderíamos ter.
Que graça extraordinária pertencer a Jesus sendo Igreja Católica, como Shalom!
Lembremos de rezar pelos cristãos e católicos que sofrem e são perseguidos, ofereçamos nosso amor, intercessão e pequenos sofrimentos por eles. No Egito há muita dor e nos lembremos que o tão querido amigo e irmão da Comunidade Shalom, Frei Patrício Schiadini, OCD, está vivendo no Cairo e é superior dos carmelitas neste país.
 Ele está bem - recebi um email há pouco - mas seguramente precisa da nossa intercessão pois há muita tensão e a violência contra os católicos do rito copta tem sido enorme.
Basta lembrar o que aconteceu no domingo passado. 
Se viver para o Frei Patrício é Jesus, morrer por Jesus seria lucro, como mas como bom filho de Teresa e de João da Cruz, ele não escolhe: Frei Patrício só quer o que Jesus quer. Que nós aprendamos com ele, sem muita enrolação e desculpas pois o amor de Deus nos espera!


A witness about the sacrament of confession


Thursday, 13 October 2011 22:09

Elena from the Haifa kehilla and a member of the Shalom Community sent us her reflections on the sacrament of confession.

I read with great interest the articles presented on the Vicariate website on Yom Kippur and Christianity and I read even with more interest the subsequent replies and comments made by Fr. David and Fr. Nicola about it. Being a Catholic believer myself I could not miss the opportunity to go a step further in this sharing of point of views and witness the tremendous gift that the sacrament of confession or penitence has been in my life.

Honestly speaking, it is not an easy step to go to confession as one has to decide to be in front of another human being, just like oneself, and admit failures, pain and weaknesses openly. It is very hard for anyone to open up and show his vulnerability as a human being in front of another human being unless one is convinced that this move will bring forgiveness, healing, freedom, hope and peace, not only on the human, psychological level, which can also be achieved in other situations, but to receive this from God Himself, as supernatural gifts.


The sacrament of confession starts before meeting the priest, as one experiences repentance and the desire to turn back, to get closer to God. This move happens inside as enlightenment between God and the person who is touched by God’s personal love. This love is the only reality that can make someone anew from within.

Personally speaking, and reflecting on the hundreds of people I know that go to confession regularly, the experience of the sacrament is closer to what we read in the Gospel of Saint Luke chapter 15, and has nothing to do with judgment, guilt or punishment. Going to confession is a living experience, a salvific event and not a torture, a humiliation or something that causes shame or more hurt. Going to confession is an event that redeems the sinner who is again totally immersed in the new life of Christ, received in baptism, and is able to grow in love and holiness, in union of love with His Lord and the ones who surround him. At least this has been my experience and the experience I see around me.

Coincidently, I had the grace to go to confession on the eve of Yom Kippur and for the first time in my life I was more aware of the importance of this feast for the Jews and what it represented, spiritually speaking. I was bathed in God’s love and wanted very sincerely to live this love and this freedom He offers me over and over in Christ Jesus. I had the experience of being embraced and loved even before ending the confession of my sins, all the shame and the pain of allowing other peoples’ sins into my heart and life… Just like the prodigal son, this prodigal daughter had tears of gratitude very quickly together with the tears of repentance. It was indeed an experience that matched the name of the day: forgiveness.

I have to add that the silent but attentive attitude of the priest that was listening to me this last time, (and it has been always like this), came to my aid in the need for a concrete presence, a voice, a listening heart, orientation. How many times in the context of a confession a priest has given me a word of wisdom that reverses the perspective of a situation, or has helped me to trust and hope in God and in myself again and again ‘because His love endures forever’? How many times I was ashamed of my weakness and the priest was as a living sign of Jesus Christ Himself. How many times my desire for conversion and repentance, my desire to live coherently and radically the Gospel also helped a priest to renew his vocation as priest?

The priests usually are very merciful, it is good to clarify and witness this to all who are not Catholic, and when they give absolution they do that in the Name of God, who is Father, Son and Holy Spirit and in the name of the Church! This amazes me and is truly awesome: the dimension of sin is not only individual and private. Although free and responsible for what I do, the sins I commit hurt the whole Body of Christ, the Church, so I have to confess them to someone who represents the Church in the Name of God and who has authority to forgive me! Every time we live the sacrament of penitence the whole Church is also healed!
 
I remember that this last time I went to confession I had one question in my mind that the priest helped me to understand was a rhetoric question that would lead me nowhere. The question was: do we have to sin in order to know God the Father as described in the Parable of Luke 15? But thanks be to God I was helped to understand with my whole being that the true question is: how come that being sinners the way we are the Father loves so much? Only repented sinners know the answer, receive the hug and the kisses, accept the new dignity of children and learn how to turn over the page of slavery. Only loved and forgiven children of God experience that in the shade of the Cross – our Tent as Father David explains – there is joy, everlasting joy.

May the Spirit of God attract us to the sacrament of reconciliation more and more. May He attract all: priests, bishops, religious, sisters, monks, fathers and mothers, young and old, lay people, teens, the ones who are far away from home and the ones who live close by. What matters is the Father who is always waiting for us!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Rapidamente

E não é que a Espanha levou a Copa? Eu estava torcendo para a Holanda mas sem muita convicção de nada pois fora Ghana nenhum não tece Por conta das aulas a minha semana está mais intensa do que nunca. Viajo agora de domingo a domingo entre Isifya e Haifa, entre trabalho, aula e pastoral hebraica que é meu 'apostolado' na missão. Ainda tento encontrar um horário para estudar e estou de caderno e livro na bolsa todo o tempo. O desafio no aprendizado leva-me a sentir-me criança novamente: a alegria do contato com o novo e a insegurança que ele desperta. Entre desesperar e enfrentar com humor e paciência, tenho optado pela letra b consciente que a idade traz limites mas imprime serenidade no enfrentamento dos medos. O difícil é o medo do ridículo, esse é duro de enfrentar. Narrom, narrom, certo, certo, diria uma das professoras, Maya, quando incentiva os alunos. Com ela tive natural empatia. Existe também o abandono na graça de Deus que não falha e capacita na mesma medida que apresenta um desafio. 

Com certeza vivo um tempo novo de desafios e perspectivas novas, pessoais e comunitárias, que precisa ser abraçado com fé e confiança. Para é tempo de seguir em frente, permanecendo na missão, sem ficar paralisada pelas perguntas estéreis. Isso se tornou claro para mim após a partilha de vida do Moysés que ouvimos na quinta-feira, véspera da festa da Vocação Shalom. Interessante porque ele falava sobre o estado de vida e não sobre missão, trabalho, mas vou intuindo e entendendo que se o estado de vida é abraçado e desejado em sua inteireza parece que todo o resto flui, as portas se abrem, e um sopro de vida afugenta a paralisia, a melancolia, e até a língua se solta... Espero para ver e testemunhar mais uma obra de Seu Amor por mim...

Não posso deixar de comentar uma cena urbana desta manhã. Sentei-me ao lado de uma moça com jeito de judia ortodoxa. A gente sabe disso por causa do lenço colorido cobrindo a cabeça, preso atrás com um nó próprio mais a saia comprida e blusa também de manga comprida. A indumentária é discreta mas não precisa ser preta ou azul marinho como das pálidas drusas. Havia uma sentada atrás de mim, descendo para Haifa. Quando sentei-me e peguei meu terço para rezar notei, coincidentemente, que a judia pegou um livrinho de orações e começou a ler movendo os lábios. Quase movia o corpo como se faz diante do Muro das Lamentações. E lá estávamos as três, mulheres, entretidas, cada uma em seu universo. Duas conscientemente conversavam com seu Deus. Senti uma alegria profundíssima por conhecer Jesus e desejei que elas também o conhecessem cristãmente, mas não tive dúvidas que éramos igualmente amadas. 

domingo, 23 de agosto de 2009

O que não é fácil

Não sei bem de onde fiquei com esta impressão, mas pode ser que se pense que a experiência missionária, como a tenho descrita, seja uma sucessão de festas e descobertas espirtuais surpreendentes, onde haja alegria esfuziante, muito estardalhaço e as tensões tenham desaparecido. Não é bem assim.
A imagem mais próxima que posso usar que descreve este tempo da minha vida riquíssimo, sem dúvida, mas extenuante e desafiador, é o deserto. O texto bíblico que ilumina o processo é o de Oséias 2, e posso afirma que esta iluminação não é cultural, exegética somente, mas essecialmente existencial, é palavra que tem sido encarnada em mim pelo Espírito Santo. Estou no deserto para ouvir melhor a voz de Deus no coração. E quem ouve, responde, e para se responder há que se ter voz própria também. Caminhar deserto a dentro é saber que se vai encontrar o silencio e todos os sons que o silencio guarda: as vozes que constroem e as que destroem até restar acima de todas as demais vozes, a voz do Amado, sua presença. Mas este caminho é de peia, em bom dialeto. É luta.
Se no deserto tenho descoberto na noite, a beleza das estrelas, muitas estrelas, a vastidão do céu e por isso a vida é vista com mais amplidão e confiança, no deserto também encontro chacais e alguns bichos que podem devorar, assustar e que precisam ser enfrentados. E assim é a missão: misto de céu e estrelas e misto de sombras e lutas incansáveis, lutas diárias para enfrentar-se e fundamentalmente aprender a amar mais e melhor, começando por amar a si mesmo para amar quem está perto. Mas este aprendizado não é dado em primeiro e segundo tomo, em básico que leva ao nível intermediário. A vida não é assim, e a vida de Deus em nós para nos santificar e amar é menos ainda. O mistério e o Amor do Senhor, sua Presença estão conosco integrais e totais o tempo todo, como o Sol, nós é que não o conhecemos ou podemos suportar a inteireza de Jesus e aprendemos em fases. Só de pensar o que significa o mistério da Eucaristia a gente sabe do que do que estou falando...
Como o espaço virtual é público e aberto, e sei que meus irmãos de casa e de Comunidade eventualmente lêem o blog, preciso cultivar a discreção porque de nada edifica ficar partilhando as mazelas de cada um e aquilo que nos relacionamentos e na estrutura da vida comunitária é difícil e desafiador. Somos unidos e verdadeiramente irmaõs e irmãs pelo inefável Mistério de Jesus que nos atingiu a todos mas este mistério se mistura com o nosso pó. Somos uma família e família tem amores e dissabores, tem humores e des-humores, tem caras fechadas, temperamentos abertos, experiências de vida diversas muito diversas, sofrimentos curados e não curados, sensibilidades afloradas, tons e semitons.
Comunidade é feita de gente regada a hormônios femininos e masculinos e educações diversas, jeitos e valores diferentes. Divergem os jeitos de limpar, de cozinhar, de cantar, de expressar afeto e raiva, tristeza e amor, gosto artístico. Há idades diferentes, interesses diferentes, times de futebol inimigos mortais. Somos uma família e às vezes me é bem difícil não ter história de vida antiga com essas pessoas com quem convivo e que quase sem querer se tornaram tão importantes para mim. Mas acho que alguns nem fazem idéia disso e a recíproca não é tão verdadeira assim...
Não se ama igual, nem em intensidade nem no jeito de amar. Inclusive há que se aceitar na fase do percurso de deserto atual, quando se processa a purificação para perder os excessos de carga que pesavam na alma e na história, pricipalmente afetiva-relacional, que eu não sou capaz de amar as pessoas sem desagradar, e que eu não sou amada e querida por todas as pessoas! Quando se convive com menos de uma dúzia de pessoas com tal intensidade como é o caso da missão internacional onde a barreira da língua se impõe, a casa comunitária se torna de fato a sua casa, onde tudo acontece, a referência. Acho que fantasiei que eu seria unanimidade, que conseguiria agradar todo o tempo e deixar que vissem pouco as minhas fraquezas. Mas a nudez se faz ver e a gente começa a entender que amar se pode sempre, mas gostar e agradar, não.
A primeira ascese para fazer crescer o amor, este amor que vem de Deus livre, que brota de dentro, como fonte e é dom sobrenatural, é aceitar-me com as vulnerabilidades, carências e dolorosas constatações que não me fazem menos eleita e amada de Jesus, só me fazem mais realista. E a ascese para fazer crescer o amor nos relacionamentos é aceitar que eu posso ser e representar o não-amável para os de casa, identificar quem é o bendito para quem eu sou isso, e não temê-lo nem rejeita-lo, mas optar sincera e corajosamente também por ele, mesmo que se sofra escondido.
Quero lembrar para os que não sabem, que nos Estatutos da Comunidade Shalom está escrito que somos chamados a amar os não amáveis... Facilmente se pensa que os não amáveis são aquelas pessoas singulares que frequentam os grupos de oração, os eventos, as paróquias, os bêbados chatos ou os inadequados comportalmente, as Lauras ou as Roseniras da vida (quem conhece ou conheceu as figuras sabe de quem estou falando), mas não. Quantas vezes eu sou o não-amável para alguém e preciso aceitar esta possibilidade além de reconhecer que a via pode ser de mão dupla: há pessoas que convivem comigo que para mim são não amáveis - não que elas sejam de fato - mas porque amá-las me custa... Isso também é missão, isso também é deixar vencer o Amor no coração e nas mentes, onde as batalhas se travam e deixar transbordar a vitória da caridade, a vitória de quem opta pela construção da paz.
Por fim, ser missionário para mim, é isso: é deserto, é luta, é medo de perder o passado e ser esquecido pelos amigos e pela família, pela distância, é abraçar a família espiritual que se recebe como dom de Deus, é contribuir para que a metamorfose aconteça, ou seja, que os laços humanos que nos unem às pessoas sejam obra do Espírito Santo tecidos a fios de ouro nos corações, e não somente afinidades carnais.
Por isso é que eu não canso de repetir, que vale a pena a missão como leiga consagrada, que é aventura, que estou bem, que faria tudo de novo, que tenho muito a agradecer, que encarnar o carisma Shalom é um dom maravilhoso do Senhor, mas quem disse que não tem noite nem escuridão no deserto?