domingo, 26 de outubro de 2008

Sobre o Amor

Passei esta semana refletindo sobre a Palavra de Deus e a vivência dela, mais ainda porque estávamos às vésperas das eleições de segundo turno em algumas cidades do Brasil, como Rio e São Paulo, e recebi alguns emails meio bravos, denunciando horrores dos candidatos, de um lado e do outro, e me senti impotente. Meu Deus, o que significa odiar o Eduardo Paes, a Martha Suplicy, o César Maia, o Gabeira, o Bush, o Lula, ou amá-los? O que acontece conosoco que quando se trata de discurso político a gente desumaniza, descontrola, perde limites, os bons valores do respeito à pessoa e vira bicho? Por que tanta imaturidade?
Eu sei que sou muito inocente neste universo político partidário, no mundo das negociações e da diplomacia. A gente se assusta e teme, e por isso foge e não se envolve. Vota e pronto, que é o que eu imagino que aconteça com a maioria das pessoas. Sei também que quanto mais extratos vão se sobrepondo nas complexas relações humanas, mais intricadas e cheias de nuances elas ficam. No entanto, sem generalizações simplórias, tendemos a refletir no macro o que aprendeu no micro, mesmo que isso não seja matemático e nenhuma garantia de repetição. O que quero dizer é que enxergamos os 'inimigos políticos', da maneira como aprendeu a enxergar qualquer inimigo, e esse aprendizado primeiro aconteceu no núcleo familiar de onde viemos e onde crescemos. E aí cabe a lembrança do singelo mas profundo artigo da Maria Emmir que publiquei no blog há poucos dias. Na família aprendemos a nos relacionar com as pessoas e com os primeiros 'diferentes' de nós que vão se perpetuar até o fim da vida.
Sem ser romântica, penso que preciso crescer e ver nos 'inimigos políticos', e vê-los no meu coração, para além dos discursos inflamados que tenho a seu respeito, humanizando-os e vendo-os como são: pessoas. Tenho o direito e o dever de discordar completa e honestamente das decisões, discursos e posturas políticas de qualquer figura pública, chegando mesmo a enfrentá-los, se for meu papel, mas jamais me esquecer de que ele ou ela tem a mesma dignidade que eu tenho de pessoa humana e de filho de Deus, se sou cristão! Isso é muito mais fácil de dizer do que de viver, mas não deixa de ser um grande desafio. E impressionantemente, posso testemunhar que vejo o Abuna Elias Chacour agir desse jeito. Se o meu candidato hoje perder, nas eleições do Rio ou de São Paulo, terei coragem de sinceramente e sem fingimento, como me pede a Palavra de Deus, de rezar pelo adversário, vencedor?
É interessante que quando defendemos 'o nosso candidato', o vemos e o descrevemos sempre como alguém, como pessoa, nas suas boas intenções e lutas, superações e atos de coragem e denúncia... quando porém, falamos do 'outro candidato', não o vemos como pessoa, só enxergamos as ações erradas e julgamos as suas intenções, ligando-o ao partido ou à ideologia que defende com a qual não concordamos. Talvez tenha que ser assim mesmo, e eu sonhe com um conto de fadas que não existe.
De uma coisa, porém, tenho certeza, que dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus, inclui também nossas escolhas políticas. Agora cito parte do texto escrito pelo Pe.Raniero Cantalamessa sobre o Evangelho deste domingo onde Jesus nos diz: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo', que não deixa de ser um chamado a ir além, de conversão que me tira da subjetividade.
'Acrescentando as palavras 'como a ti mesmo', Jesus nos pôs diante um espelho diante do qual não podemos mentir: deu-nos uma medida infalível para descobrir se amamos ou não o próximo. Sabemos muito bem, em cada circunstância, o que significa amar a nós mesmos e o que queríamos que os demais fizessem por nós. Jesus não diz, note-se bem: 'O que o outro te fizer, faze tu a ele'. Isso seria a lei do Talião: 'Olho por olho, dente por dente'. Ele diz: 'o que tu queres que o outro te faça, faze tu a ele' (cf. Mt 7, 12), que é muito diferente. Jesus considerava o amor ao próximo como 'seu mandamento', no qual se resume toda a Lei. 'Este é o meu mandamento: 'que vos ameis uns aos outros como eu vos amei' (Jo 15, 12).
Esta caridade do coração ou interior é a caridade que todos e sempre podemos exercer, é universal. Não é uma caridade que alguns – os ricos e saudáveis – podem somente dar e outros – os pobres e enfermos – podem apenas receber. Todos nós podemos fazê-la e recebê-la. Também é muito concreta. Trata-se de começar a olhar com novos olhos as situações e as pessoas com as que vivemos. Com que olhos? É simples: 'os olhos com que quisermos que Deus nos olhe. Olhos de desculpa, de benevolência, de compreensão, de perdão...'

Quando isso acontece, todas as relações mudam. Caem, como por milagre, todos os motivos de prevenção e hostilidade que nos impediam de amar certa pessoa, e esta começa a parecer o que é realmente: uma pobre criatura humana que sofre por suas fraquezas e limites, como você, como todos. É como se a máscara que todos os homens e as coisas têm caíssem, e a pessoa aparecesse como é na realidade'. (Fonte: www.zenit.org.br em 24-10-08)

sábado, 25 de outubro de 2008

Fiz uma grande confusão!

Ei galera, leiam o que escrevi sobre política e Israel na data do dia 22 de outubro, duas postagens atrás, porque fiz uma confusão na hora de salvar. Mas acho que em vésperas de eleições vale a pena a gente pensar e saber certas informações! Um grande beijo e até amanhã, se Deus quiser!
E viva a fantástica e sábia Ingrid Bitencourt que depois de tantos anos como prisioneira política dá um banho de sensatez e lucidez, ao receber o prêmio como 'ministra da paz', ou coisa parecida. Depois comento mais a respeito.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O Salto Nosso de Cada Dia nos Dai Hoje!

Este texto que segue abaixo foi escrito pela Maria Emmir, co-fundadora da Comunidade Católica Shalom, que é uma mulher de grande vivência humana e espiritual, de uma inteligência ímpar, com grande dom de se comunicar pela escrita, fazendo muito bom uso das palavras. Ela é seguramente uma amante da Palavra de Deus. Achei este artigo publicado hoje no site da Comunidade e como ele me caiu como luva para as questões da vivência da radicalidade evangélica, principalmente na questão dos relacionamentos, quis partilha-lo com todos.
A gente pode até não ter mais 'inimigos', mas com que facilidade categorizamos as pessoas, dando rótulos a elas só porque são diferentes de mim, e nos acomodamos com essa atitude, suportando educadamente os que me são menos simpáticos ou com quem tenho menos afinidade, sem ter a coragem dos santos de dar o salto do amor. Estou incomodada com isso porque o Amor me leva a fazer deles, olhar para eles, e falar deles DENTRO DE MIM, como dom, como trampolim para a liberdade de quem decide amar e servir com os pequenos gestos movidos pelo 'amor de Deus que foi derramado em meu coração pelo Espírito Santo que me foi dado', como diz a Escritura em Romanos 5,5, e que me é dado novamente, diariamente na Eucaristia! Se eu pensasse mais sobre a paciência e o humor que Deus tem comigo eu teria muito mais tolerância com todas as diferenças que nos outros que me tiram do sério...
É por isso que deixo abaixo esta pérola escrita pela Maria Emmir, que eu espero que ilumine o coração de quem ler até o fim, tanto quanto iluminou o meu coração e me deu coragem de passar o dia 'treinando' e olhando internamente com afeição e amor para quem me é difícil aqui na casa.
Termino com uma frase linda que eu ouvi 'meu bispo' Elias Chacour dizer outro dia quando foi entrevistado sobre seu relacionamento de vida inteira com judeus, muçulmanos e todos os 'diferentes' que convivem nesta terra: " I believe that the worse enemy is what we ignore, not what we know about others".
Que maravilha! Papai não é perfeito!!!

Dentre as frases mas famosas de nossa infância, você e eu, com certeza, nos lembramos de algo como: “Se você for bonzinho, Papai do Céu vai ficar feliz!”; “Olha só! O anjinho da guarda está chorando! Você foi mau com seu irmãozinho! Que coisa feia!”. Este tipo de frase, repetido à exaustão durante nossa infância, pode ter tido, pelo menos, três efeitos devastadores.

O primeiro é a impressão de que Deus só nos ama se formos perfeitos e se fizermos tudo de forma perfeita. Como sabemos, isto é a mais redonda mentira. O segundo, é a noção de que só seremos amados se formos perfeitos. Isso, infelizmente, é uma tendência de nossa mentalidade egoísta e, portanto, não deixa de tornar-se, na prática, verdadeiro. O terceiro efeito, muito mais sutil que os dois primeiros – e muito mais avassalador do ponto de vista do relacionamento familiar e humano – é o de acreditarmos que só é digno do nosso amor quem é nada mais nada menos que... perfeito!

Cuidado! Não chegue rápido demais à conclusão de que, então, só Deus é digno de amor! Ao ler “perfeito”, leia “como eu quero que a pessoa seja”. Isso, naturalmente, exclui Deus, por três razões: primeiro porque, no amor verdadeiro, aquele que é Deus, toda pessoa é digna de amor. Aquela que não é perfeita, no entanto, é digna de um amor todo especial. Segundo, porque se só sei amar quem é como eu quero, isso exclui Deus, que não é como eu quero, mas é inteira e livremente quem Ele é. Terceiro, porque se estou pronto a amar quem é como eu quero que seja, então Deus também está de fora, pois é a mim mesmo que amo, não ao outro e, portanto, não a Deus.

O amor intolerante, orgulhoso, que exige dos outros a perfeição, não passa de imaturidade espiritual e, portanto, humana. Espiritual porque não entendeu ainda que o amor exige renúncia e vem de mãos dadas com a humildade e a tolerância, para que possa tudo crer, tudo suportar e tudo esperar, inclusive, o nada esperar, o nada exigir do outro. Este “amor” ou forma de relacionar-se é, ainda, imaturidade humana. É o amor do adolescente, que exige que o outro seja perfeito, seja como ele quer e espera que ele seja. À menor decepção, o outro é riscado do mapa dos seus relacionamentos. Seus critérios rígidos de julgamento e crítica não deixam passar o menor vestígio do que ele considere imperfeição. Todos têm de ver as coisas como ele, pensar como ele, agir como ele agiria, pensar como ele pensa, querer como ele quer, seguir o seu método infalível, observar suas regras salvadoras. Quem não for uma projeção da fantasia que faz sobre si mesmo, em sua onipotência orgulhosa e, por conseguinte, cega, não é digno do seu apreço, de sua admiração, do seu assim chamado amor ou amizade.

Os relacionamentos familiares e comunitários tendem a repetir ao infinito este comportamento e mentalidade adolescentes. Irmão, irmã, marido, mulher, pai, mãe, sogro e sogra, cunhados e primos, só são dignos do meu amor, admiração e amizade se forem como quero que sejam. Se forem a encarnação dos meus conceitos e desejos, se preencherem minhas carências de minha própria perfeição, então são dignos de mim, de minha companhia, de minha camaradagem e amizade. Podem contar comigo. Porém, se não forem o que exijo, espero, fantasio e, egoisticamente, desejo que sejam, então, adeus! Vai o marido para um lado e a mulher para o outro, os irmãos, primos e cunhados se mordem e esfolam, pais e filhos desistem uns dos outros, desanimados, idosos inadequados são peremptoriamente abandonados.

A maturidade espiritual e humana, aquela autêntica, que vem do amor, começará a desabrochar quando eu puder dizer: “Ele é diferente de mim. Não pensa como eu penso nem como acho que deveria pensar, não vê o mundo e as pessoas como eu creio que deveria ver, não tem as reações que eu teria ou que acho que ele deveria ter. Que maravilha! Ele não é perfeito! Posso amá-lo! Posso deixar de amar a mim mesmo para amá-lo! Que oportunidade fantástica! Tenho a chance de acolher meu irmão como Jesus o acolhe, como Ele me acolhe: porque sou pecador, porque não ajo sempre como ele agiria, porque não penso sempre como ele pensaria, porque não sou perfeito! Ah! Liberdade das liberdades! Posso, finalmente, amar! Encontrei, finalmente, motivos para amar meu irmão: Ele não é perfeito! Ah! Perfeita liberdade que vem tão somente de Deus!”.

Ao ler a vida de santos recentes, como Santa Teresinha, como Giana Beretta Molla, que tanto prezaram a vida de família e os relacionamentos familiares, fico a me perguntar em que ponto de nossa história perdemos o sentido do verdadeiro amor, aquele que é vivido em primeiro lugar na família. Aquele amor que preza e valoriza o sacrifício, a renúncia discreta e escondida, o exigir de si mesmo e não do outro, o dar espaço para o outro e, para isso, perder seu próprio espaço, o aceitar desaparecer para que o outro apareça e entender que, no amor encontramos toda alegria. Onde foram parar as virtudes? Onde está este elo perdido?

Não me sinto capaz de grandes análises. Além disso, não há espaço nem tempo. Sei onde encontrar o elo perdido e como, a partir da família, re-estabelecer ligações eternas. É urgente cavar no Evangelho e na vida dos santos o elo perdido do amor que é paciente e bom, que se alegra com a verdade do amar, com a justiça do sacrifício, com a descrição do escondimento, o Evangelho aplicado à família! Não somente aos monges, não somente aos celibatários, mas às famílias. Famílias que vivam e ensinem a viver a tolerância, a humildade, o tudo suportar, o nada exigir do outro, a acolhida do diferente, morrer para que o outro tenha vida. Famílias-escola de virtudes, de caridade, de maturidade, de fortaleza.

Um dia, quem sabe, voltaremos a ouvir frases como: “Shhh! O papai está dormindo, desliga o teu som!”; “Perdoe a mamãe, ela está preocupada hoje”; “Sei que ele está errado, exatamente por isso precisa do teu perdão. Se estivesse certo, não precisaria, não é verdade?”; “Perdoe, filhinho! Perdão, a gente não merece, a gente precisa...”; “Meu bem, precisamos deixar de trabalhar tanto para ficar mais com as crianças. Não importa se ganhemos menos. Teremos como dar-lhes mais!”; “Que tal a gente congelar este prato para quando o irmãozinho chegar de viagem? Ele é louco por peixe!”; “Tenha paciência, não sei se um dia seu pai vai mudar, mas o seu amor por ele pode mudar tudo”.

Neste dia bendito, quem sabe digamos frases como: “O Papai do Céu vai te amar mesmo se você não for bonzinho, mas, por amor a Ele, que tal não bater mais no irmãozinho?”; “O anjinho da guarda viu que você errou e já está vindo correndo te ajudar!”; “Não é maravilhoso que seu pai pense diferente de nós? Temos uma oportunidade imperdível de amá-lo e nos abrirmos para acolhê-lo!”; “Sei que você não gosta de fazer isso, filhinho, mas se você o fizer por amor a Deus e à sua irmãzinha você terá um tesouro no céu. Você aceita o desafio do sacrifício?”.

A exigência de perfeição do outro, a intolerância para com o imperfeito e o diferente de nós são, sem dúvida, chagas provocadas pelo egoísmo que tem início na família. Geram eternos adolescentes a baterem o pé pelo mundo afora, tristemente frustrados consigo e com os outros, ridiculamente exigentes da perfeição alheia. No livro e curso “Tecendo o Fio de Ouro” dedicamos toda a segunda parte a este fenômeno que é, sem dúvida, um dos males mais sutis da cultura ocidental hodierna. É espantoso verificar como as pessoas reagem muito mais forte e negativamente ao fato de não serem deuses, de não serem perfeitas, que a grandes dores do seu passado. As dores servem de desculpa para suas eventuais imperfeições, mas seus limites, necessidades e fraquezas que, admitidos e acolhidos, levariam à humildade, tolerância e misericórdia, são, na maioria das vezes, rechaçados, pois são vistos como prova de que não são dignos de serem amados. A reação inicial dos que fizeram o curso foi tão forte que fizemos uma segunda edição mais esclarecedora e publicamos um livro humorístico, “Joaquim e Sua Padiola”, na tentativa de levar a todos a entendermos que quando somos fracos, então é que somos fortes e quando aceitamos ser fracos, então teremos aberto o caminho para a humildade, tolerância e caridade, para o amor gratuito, fruto de uma libertadora decisão de amar o não amável, o não aceitável, como renúncia livre e amorosa, como exercício maior de amor a Jesus, nosso Esposo.

Na família – quem diria – esconde-se o segredo do amor esponsal a Jesus oculto e revelado em cada homem imperfeito!

Maria Emmir Oquendo Nogueira

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Um Pouco de Política

Esta manhã um grupo de 13 amigos episcopalianos americanos (corresponde aos luteranos europeus), teve uma conversa, meio entrevista, de 2 horas com o Abuna Elias Chacour, e eu tive oportunidade de ouvi-lo falar longamente após servir café e bolo. Foi um 'banho que tomei' de política e história e análise da Igreja e do Mundo. Como me senti ignorante e como me senti grata por poder aprender!

Fui apresentada como leiga consagrada da Comunidade Shalom a este grupo de amigos do bispo que há anos o apoia através de uma associação chamada 'The Pilgrims of Ibillin'. Eles promovem peregrinações à Terra Santa, necessariamente passando pela vila ao norte da Galiléia, Ibillin, uma das mais simples financeiramente falando, angariando fundo para o grande complexo educacional que existe lá. Em Ibillin o bipo exerceu seu ministério sacerdoral desde a ordenação, mudando-se para Haifa em 2006, somente depois de ser sagrado arcebispo. Há 26 anos o então somente Abuna Chacour fundou uma pequena escola com aproximadamente de 20 alunos, com o propósito de dar oportunidade às crianças árabes, principalmente às meninas, de terem alguma educação e, consequentemente, um futuro melhor. Nascia assim a 'Mar Elias Educational Institutions', mar significando Santo, ou o Profeta Elias, em árabe.
Os americanos perguntaram muito a respeito da situação de política de Israel. Entre as coisas que ouvi e que vale a pena serem repetidas, é que um dos pontos positivos da terrível e estúpida guerra de um mês em 2006 contra o Líbano, é que o Estado de Israel teve que abaixar sua arrogância ao entender que seu exército não é invencível. E esta constatação ficou clara para o mundo todo. O Abuna também comentou que, individualmente, até na esfera ministerial há concenso a favor de uma negociação efetiva pela paz com os palestinos. Ninguém mais suporta a tensão, as mortes, o estado de alerta, o medo entre as pessoas. Só que 'algo acontece' na Cúpula mais alta das decisões, que 'empaca' as negociações que não vão para frente e os palestinos continuam reféns em sua própria terra, como é a triste e aviltante situação dos árabes-cristãos e os árabes-muçulmanos de Belém.
Eu realmente acredito que a oração pode mudar o coração dos homens, pois pode apressar e trazer a misericórdia e a luz do Senhor para os corações duros e cegos! Devemos rezar e rezar de todo coração, neste final de semana, pois temos segundo turno de eleições no Brasil e eleições presidenciais nos EUA. Nos pediu o bispo que rezássemos pois sabemos que o que acontece na América do Norte afeta o mundo inteiro, mais ainda Israel e a Terra Santa. Ainda não sabemos verdadeiramente se o Barak Obama vence porque os votos que fazem a diferença, vem da Flórida, e foi exatamente de lá que chegaram os votos que reelegeram o Bush quando todo mundo tinha certeza da vitória do Al Gore. Dessa vez, porém, a briga está ainda mais acirrada, e isso eu fui entender aqui, porque a colonia judaica-americana moradora na Flórida é significativa e pode levar o candidato 'negro de nome muçulmano' perder sua vantagem percentual e voltar para casa como perdedor.
Mais uma vez os judeus demonstram sua influência e poder no mundo! Rezemos para que a soberana misericórdia do Senhor acompanhe e ilumine os eleitores lá e cá. Melhor dizendo: lá e lá, nos EUA e no Brasil. Tem horas que eu esqueço que não estou em casa... Shalom!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Dar a César e dar a Deus como Jesus

Nunca pensei que esta passagem do Evangelho de domingo passado, quando Jesus responde à provocação dos fariseus sobre pagar ou não impostos, dizendo que eles dessem a Deus o que fosse de Deus e a César o que fosse de César, fosse gerar tanta reflexão em meu coração. Com certeza esta é uma daquelas palavras de sabedoria ditas por Jesus, inspirado pelo Espírito Santo, que gera uma revolução conceitual, uma mudança de paradigma, que terá sempre repercussão no coração de quem tiver ouvidos para ouvir, seja em que cultura for, em que tempo for.
Fiquei a me perguntar se eu estava dando verdadeiramente a Deus o que era de Deus e a César o que era de César, ampliando minha visão e compromisso com um por causa do outro. Ao responder desta maneira 'encarnada', Jesus dá a entender que o Reino que Ele viera implantar e que está no meio de nós, ESTÁ NO MEIO DE NÓS, ou seja, não virá dos ares! E viver neste Reino e construi-lo implica em pagar os tributos (impostos), viver em sociedade, gerir a vida pessoal e comunitária, estudar, trabalhar, descobrir, inventar, criar arte, criar tudo, fazer a vida acontecer, em toda a sua formosura e plenitude. Assim a criatura humana 'domina a criação' segundo ordem do Senhor dada desde Gênesis, e se perpetua na História e na cultura de todas as raças e nações.
Jesus quebra a dicotomia entre 'Deus e César', me parece. Fica evidente que se eu não der a Deus o que é de Deus tampouco darei a César o que é dele, na medida justa. Se prescindo de Deus farei de César e das coisas temporais, inclusive do poder e da política, um outro Deus, fruto das minhas mãos, um deus de pés de barro que deixa árido o coração, e torna as desolações cada vez mais longas e constantes. Mas não somente prescindindo de Deus farei de César o meu Deus. Se vivo uma experiência de Deus que não alcança e encarna as exigências de transparência do Evangelho ilustradas na própria vida e pessoa de Jesus, também não estou dando a Deus o que é de Deus. E tendo Jesus como modelo, como protótipo de plenitude humana e de felicidade, a bendita que a gente tanto busca e precisa, eu estou pensando em sua castidade, desapego, perdão, honestidade, respeito ao sacrado, horror à hipocrisia, simplicidade, respeito à cultura, à família, à vida, às pessoas - todas elas. Falo de sua sabedoria para gerenciar o tempo, as pessoas, os amigos, a capacidade de se divertir, de conversar, de acolher e dar-se ao outros, sabendo ficar sozinho e ficar sozinho também para ficar com Deus, o Pai, e rezar, rezar muito, sem temer o silêncio, a contemplação. Mas tem mais, tem muito mais a respeito de Jesus nas páginas do Evangelho.
Enfim, compreendo que em Jesus é possível aprender a dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. E Jesus não estava 'dando lição de moral nos fariseus', mas queria ensina-los a viver e viver bem. A mim cabe ver para qual prato da balança estou pendendo, fazendo de César, Deus, ou não dando a Deus aquilo que lhe é devido de meu amor e abertura para uma conversão ainda mais profunda, que 'faça brilhar diante dos homens as minhas boas obras para que os homens glorifiquem ao Senhor que está nos Céus'.

domingo, 19 de outubro de 2008

Algumas Novidades


No dia de Sta.Teresa d'Ávila tomei a decisão de começar a estudar, por conta própria, o hebraico com a ajuda da Internet e de alguns livrinhos que ganhei. Achei no You Tube algumas aulas para iniciantes, tanto em inglês quanto em português muito boas, separei um caderninho, e deste então, tenho estudado meia-hora que seja, por dia. Estou às voltas com aprender a desenhar as 22 letras do alfabeto, que não tem vogal nem maiúscula, sabiam? mas que tem um 'desenho' para a escrita cursiva e outro para a escrita impressa, que torna o trabalho duplo. Alguém pode imaginar o que de imediato também pensei: para que aprender a escrever à mão se ninguém mais escreve à mão? Só que há muitas placas e sinais de lojas, impressos, escritos com as letras da escrita cursiva, ou seja, tem que aprender os dois. Confesso que é desenimador.

Comecei a entender desde então, qual é a experiência pela qual passa um adulto analfabeto na tentativa de aprender a juntar som e forma, e dar sentido a isso. Quando a gente é alfabetizado quando criança e experiência é totalmente diferente pois o mundo está sendo apreendido, sorvido, não há medo, mas quando se é adulto e se está numa outra cultura, aprender a língua, o alfabeto, a pronúncia, o vocabulário, é uma tarefa e tanto! Tudo é diferente no hebraico, até a direção, pois a leitura e a escrita são ao contrário, da direita para a esquerda, a gente sofre. Mas até esse sentido de contrário a gente tem que questionar pois como o hebraico, língua semítica, é anterior ao latim, nós é que passamos a escrever ao contrário, e não eles! Só rindo para não chorar! Me senti tão pequena, com o lápis na mão, copiando traço por traço, até formar cada alef, bet, guimel, e vendo os meus primeiros garranchos se formarem, escrevendo com aquela insegurança típica dos iniciantes. Lembrei-me da Francisca lá de casa, voltando a estudar com quase 40 anos, para aprender a ler e a escrever, e todo o seu esforço para assinar seu nome e anotar um número de telefone e o nome de alguém. Como eu te entendo agora as Franciscas e os Franciscos deste meu Brasil de tantos iletrados!

Para poder me auto incentivar, fui com a Viviane para Haifa, participar (com todas as devidas reticências no que se refere à palavra participação) da missa em hebraico no rito latino. Ela é esta moça do meio na foto acima, a única da casa que estudou o hebraico e está aqui há três anos ou um pouco mais, e que trabalha na pastoral hebraica. Nesta casa em Haifa, coordenada pelo Pe.David, jesuíta, participam da eucaristia, judeus de origem polonesa e judeus israelenses convertidos ao Cristianismo. É um grupo pequeno de adultos, não chega a 20 pessoas, e a Vivi dá aula de catecismo para umas adolescentes, que se preparam para a crisma. Consegui acompanhar toda a liturgia porque sei o que está acontecendo, e com muita alegria e propriedade, desejei SHALOM na hora do abraço da PAZ! Foi uma experiência muito interessante, mais uma!
Também inusitada é a vocação do padre David Neuhaus, sj, que é filho de judeus alemãos fugidos da Alemanha para a África, na II Guerra Mundial, sendo sul-africano de nascimento. Quando criança veio com os pais para Israel, como cidadãos israelenses e aqui, adoslescente, começou a se interessar pelo Cristianismo e pelo Catolicismo. Os pais quase morreram de desgosto mas disseram que ele esperasse fazer 18 anos. Quando se tornou maior de idade não somente quis ser batizado, mas sentiu o chamado ao sacerdócio e hoje é jesuíta, trabalhando como pacifista e dando assistência a outros judeus católicos, cidadãos de Israel.
É tanta história interessante que a gente vai sabendo e ouvindo, que a vida vai se tornando ainda mais bela e mais motivos se tem de louvar a Deus por seus caminhos perfeitos sobre toda a Terra. Quanto a mim, rezem para eu conseguir aprender e perseverar diariamente no estudo do hebraico. Amém!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

É lindo demais!

Dizem que a gente é um pouco mãe dos sobrinhos, o que eu concordo plenamente! Não pude ter muito contato diário e semanal, a não ser nas férias anuais, com os meus sobrinhos cariocas, Gabriel, Alessandra e Bruna, agora jovens de 19, 18 e 15 anos, porque ao me mudar para Fortaleza, em 1990, os dois mais velhos eram bebês ainda, e a Bruna nem tinha nascido! Já com as crianças de Fortaleza, Marco (que a gente só chama de Marquito), Lucca e João, pude conviver nos útimos 6 anos intensamente, sendo eles ainda bem pequenos, e sempre nos demos muito bem.
Que saudade sinto hoje de pegá-los para dormir em casa, comer pizza e pipoca com guaraná antarctica, ou uma boa macarronada, ver um DVD ('Searching for Nemo' pela enésima vez), depois de termos participado da missa no Shalom!...
Eles são fofos demais e crianças especiais, criadas sem muitas extravagâncias e consumismos. São meigos e carinhosos, doidos por computador, por leitura (por incrível que pareça, estavam lendo todos os livros do Monteiro Lobato, além dos Harry Potter e as Crônicas de Nárnia) e bastante bagunceiros. Também gostam de bichos e amam a Jesus e Nossa Senhora. Como não podia ser diferente, já que são Etienne Arreguy: adoram conversar e contar caso, o João então, ganha todos, mas o Marquito não fica atrás. E mesmo o Lucca que é mais comedido e reflexivo, se pegar de jeito, é bom de papo também.
Este da foto é o Lucca, super lindo, o mais meigo, que hoje faz 12 anos e que é um menino sobre quem o Senhor colocou Seu olhar e eleição de maneira especial. Desde os 4 anos ele diz que quer ser sacerdote, que o Jesus o chama para ser padre! Deus te abençoe, meu filho, parabéns! E como sempre falamos: amo-te! adoro-te! Minha bênção, carinho, orações diárias, e saudade também para o Marquito, o João, o pai e a mãe! Rezo sempre para a família de vocês, e o Senhor há de ajudá-los a vencer todos os problemas e desafios!
É muito bom constatar que as pessoas podem estar nos lugares, vivendo perto ou longe umas das outras mas, de verdade e na verdade as pessoas a quem amamos, vivem é no coração da gente!