segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mais Histórias da Nigéria

À esquerda da foto está a Tchitchi e a de boina branca é a Ifii que junto com a Mônica foram meus anjos da guarda que, diariamente, iam à casa dos padres para preparar minha comida especial com saladinha e fruta. Também foram elas que providenciaram os dois vestidos de festa que eu trouxe, levando a costureira para tirar as medidas, e me ensinaram a amarrar o pano como um turbante bem grande como se vê numa foto abaixo. Duas nigerianas especiais, comprometidas com a comunidade, amigas, com seus sofrimentos também... Também lá toquei de perto a realidade doída das mulheres - e também dos homens, por incrível que pareça - que querem encontrar um grande amor e constituir família e que, de decepção em decepção, vão se sentindo diminuídas e sentem a vida se esvair sem sentido por que não se casaram. Assim como acontece na cultura árabe, também na Nigéria as jovens solteiras sofrem agudamente com a perspectiva do não matrimônio. Como gostaria de ter tido tempo de partilhar mais sobre o chamado e a realidade da vocação celibatária, como opção e não como falta de opção, grande descoberta e dom que a vida comunitária e a vocação Shalom me proporcionou... Deus tem seus tempos, caminhos e surpresas... Quem sabe não haverá uma próxima vez?


Ninguém nunca me viu tão extravagantemente chique, nem eu mesma! Totalmente Adêze, mais que Elena. Este vestido eu trouxe, saia e blusa na verdade, e não vejo a hora de ter uma oportunidade e a meia estação chegar para eu desfilar à la Nigéria. Sem turbante, claro, porque aí já é querer demais. A experiência de inculturar-me, um pouquinho que fosse, gerou tanta alegria em mim e nas pessoas que eu mesma me surpreendi. Fui às missas de domingo para convidar para o retiro e no domingo seguinte voltei, à caráter, como na foto acima, e arrisquei duas frases em Ibo, a língua nativa: Otitô Deri Jessu que corresponde ao nosso Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo, e Afuro Guinanha que traduzindo significa: eu amo vocês! Foi um delírio só! Deus é muito bom e manifestou de maneira impressionante o Seu Shalom, a Sua Paz nos dias de retiro. Não que os problemas foram resolvidos magicamente mas, a experiência do amor concreto do Senhor marca para sempre o coração de quem o experimenta e Ele sempre permanece, sempre está no meio de nós como dizemos a cada Eucaristia, pelo menos no Protuguês, e é da Sua Presença que nossa alma tem sede e fome, existencialmente falando.

Esta menina foi a primeira criança por quem rezei, ainda meio sem jeito, buscando as palavras, tentanto entender o que a estava deixando tão angustiada (ela tinha abraçado o padre e mal conseguia falar), em meio ao seu inglês tão novo para mim... mas o amor foi à primeira vista e à primeira oração. Ela participou e trouxe a mãe para todos os dias do retiro e ela fazia parte da população pobre da paróquia, mas ela sabia que tinha acesso a me dar quantos abraços quisesse.

Esta foto eu vou imprimir. Não era desfile de moda, mesmo parecendo...foram algumas senhoras no final da missa das 10 que quiseram se despedir de mim, branquela no meio delas, com uma foto especial. Ficou linda mesmo! Entre tantas impressões humanas e espirituais que vi e toquei nesta missão o não padrão ocidental parisiense e milanês ou nova-iorquino de beleza entre as mulheres, foi libertador! As mulheres são lindas e gordinhas! Não ouvi uma sequer pedir para eu rezar porque precisava emagrecer, ou falar de regime, ou reclamar de gordurinhas extras nas coxas, na barriga, nos braços... que felicidade por serem o que são! Lindas! Elegantes em seus vestidos nativos ou em roupas mais ocidentais e livres!

É ou não é uma Madonna negra? Jovem mãe com uma filhinha apaixonante. Não resisti e pedi para tirar uma foto. A mãe, meio tímida baixou o olhar, o que a deixou mais naturalmente bela ainda. Que o Senhor as abençoe!
Estas mulheres negras e belas, fortes, que não mostram a idade e nem tem cabelo branco me lembraram o Brasil e o quanto devemos e somos africanos em nossa cultura. Eu já tinha ouvido falar, a gente le uma coisa aqui outra acolá, mas constatar in loco uma das fontes da cultura brasileira me fez entender o quanto somos negros na música, na cor, no colorido, na ginga...dizem que também na preguiça para trabalhar, na corrupção, mas não quero entrar neste mérito porque nada é tão somente branco ou preto...
E esta lembrança só os da família vão entender: que gratidão, saudade e amor pela Tia Nenê, pela Dorcelina, pela Teresa...

4 comentários:

Anônimo disse...

Elena, Deus abençoe vc!!!
As fotos estão lindas!

Shalom!
Raiane
Petrolina-PE

Clara Arreguy disse...

Quanta beleza, quanta humanidade, quanta irmandade. Fico orgulhosa de ser sua prima, sua amiga, sua irmã. Deus a abençoe.

Prêmio Estadual disse...

Vc. deve ter experimentado o "que todos sejam um". Quanta fraternidade!
Amo o seu blog, ao acessá-lo sinto-me perto do céu.

Te amo em Cristo
Fátima - Belém do Pará

Anônimo disse...

ÔI, ELENA, QUE RIQUEZA DE EXPERIÊNCIAS, HEIM? pARABÉNS! VOCÊ VAI SE LEMBRAR POR MUITO TEMPO AINDA DESTA ABENÇOADA AVENTURA MISSIONÁRIA. eU... BEM QUE QUIS IR PARA A NOVA GUINÉ, LÁ PERTO DA AUSRTRÁLIA, MAS JESUS ACHOU QUE MINHA NOVA GUINÉ ERA PÓR AQUI MESMO! LOUVADO SEJAS, MEU SENHOR!
BEIJOS E SAUDADES DE SUA
TRINITY