quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!

Praça de S.Pedro, duas semanas atrás, terço ao vivo televisionado pela Tele Pace, rezado em latim e inglês, italiano, português e francês (metade, metade), dessa vez sob a responsabilidade da Comunidade Shalom, missão Roma. Acho que comentei a respeito rapidamente, só no Facebook e por isso escrevo agora para os fiéis leitores do blog que acompanham minha vida missionária

Éramos estes os presentes, sem contar o Pe.João Wilkes que saiu às pressas para o interior da basílica para se confessar e depois celebrar à missa das 17h com outros sacerdotes peregrinos, no altar do Espírito Santo. Nomes? Elena, Elaine, Ana Lúcia (segurando o ícone) e Tatiane, atrás: Cristiano, Edie e Mila e na frente, Maria, sempre ela, em destaque na frente, a missionária mais antiga da missão de Roma, 12 anos em terras italianas...merece, o destaque. Até a Jornada Mundial da Juventude em julho de 2013 no Rio, diariamente, está sendo rezado um terço ao vivo sob a liderança de alguma congregação, movimento, comunidade nova, etc. Por isso a presença de uma cópia da cruz peregrina da Jornada que fica guardada no Centro S.Lourenzo, que é o centro da Juventude do mundo todo no coração de Roma, bem do lado do Vaticano.

Como estamos no fim do ano, última semana do tempo litúrgico, e Jesus nos apresenta textos fortes do apocalipse e do evangelho de S.Lucas, parece que tudo me leva a fazer um balanço da vida e nos indica a uma única palavra: perseverar. Perseverar com coragem porque a Palavra do Senhor é fiel e eterna e Ele está no meio de nós até o fim.

Sem parecer um papagaio que repete pra fazer bonito, sinto sinceramente que devo dizer como S.Francisco: 'até agora pouco ou nada fiz...'. É claro que fiz, porque se não o que eu estaria fazendo era simplesmente enterrar tudo o que Deus me deu e me acomodar, mas pouco fiz porque o parâmetro do amor de Deus é tão largo, misericordioso, atraente, bom, abundante que vendo o Reino de Deus que já está dentro de mim, e também o que está fora de mim, reconheço quantas terras ainda precisam ser desbravadas, purificadas, remidas e iluminadas, conquistadas pelo Amor... Como o Reino de Deus precisa ainda ser vivido e conhecido e apresentado.  

É o infinito dentro do finito, como pode? Como se fará isso? Para Deus tudo é possível e nessa hora a gente aprende com Nossa Senhora. Aprende a força e a importância do faça-se, do quero, do pode, Senhor, do insisto em deixar-me amar por ti. 'Conquista minhas muralhas, ultrapassa os limites dos discursos, chama-me à vida e a ser verdadeiramente humana'. Enfim, o balanço é sempre de esperança mesmo quando se descobre que os ídolos e os medos não se deixam vencer tão rapidamente como se pensava.

O Moysés, santo irmão, fundador da comunidade, tem nos falado repetidamente sobre a santidade vivida comunitariamente, como corpo de irmãos, unidos, como sendo este um grande pedido e dom de Deus. (Deus nunca nos pede uma coisa que já antes não nos tenha dado a graça e as condições de fazer, mudar, viver, Ele não pode fazer no meu, no nosso lugar). E ele, Moysés, acrescenta, só cresceremos em santidade se aumentarmos nossa experiência de misericórdia, se nos deixarmos constranger e humilhar pela misericórdia de Deus Pai, assim como aconteceu com o filho do evangelho. 

E ao ouvir essa fraterna exortação de palavras fortes, 'ser humilhado pela misericórdia de Deus' fica evidente que este é caminho dado pelo Senhor a ser percorrido por mim - e para quem quiser e tiver ouvidos para ouvir - no ano novo que começa no advento, semana que vem. É a via da misericórdia novamente vivida no coração, encarnada na vida como uma necessidade concreta, para além do belo discurso que leva às lágrimas mas pode não mudar as atitudes e pensamentos... É a via da misericórdia a via do ano novo que Deus quer me dar, mas sem oração, sem silêncio, sem o espelho da lectio divina, sem a amizade que se estreita na eucaristia diária, sem o esforço e o desejo de fazer morrer a própria natureza egocêntrica, treinada em se justificar e ser vítima, é bem difícil entrar nessa dinâmica feliz da misericórdia. 

Mas a gente sabe que o que vem primeiro, o que acompanha o processo e o faz chegar ao fim é sempre a graça de Deus, seu Espírito, princípio de todas as coisas e consumador de todo Bem, Senhor da vida... 'Ai meu Deus, quanto falta!', penso, 'Ai meu Deus, quanto tu queres me dar e me fazer entender que é possível  viver sem pecado, e sem pecado tudo pode mudar até a economia :-), que para mim é o reduto humano mais desafiador que existe...'.

Enfim, volto para o tema e a pessoa por onde comecei este texto: para Nossa Senhora. Por que não rezar mais e mais vezes o que Ela nos ensinou a rezar em Paris? 'Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós'. Aproveitei a festa do dia 27 de novembro e novamente pendurei no nó do cordão que prende o tau da minha consagração uma medalha de Nossa Senhora das Graças para me lembrar dessa oração e de reza-la por mim e por tantos pessoas que o Senhor me confiou. Também é a Ela que confio a missão que vivi em Israel e que tanto me faz falta, a família amada e os amigos deixados no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, esse tempo de missão em Roma, tempo de transição e muito aprendizado, e o que virá.     

Para todos: uma feliz última semana do tempo comum e...perseveremos juntos!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Um santo segredo do Beato João Paulo II

Dia 21 de novembro, é festa da apresentação de Maria no Templo, a Virgem Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa (e como é bom dizer isso!). Festa celebrada no Oriente desde o século VI e no Ocidente desde o século XV. É a festa da primeira doação total de Nossa Senhora a Deus e assim agem as almas esposas, segundo definia o Beato João Paulo II quando falava do amor esponsal, elas se doam totalmente ao Senhor. Hoje é dia de renovarmos nossa oferta de vida irrestrita ao Senhor. Assim o Pe.João começou a homilia da missa comunitária, que temos a graça de ter diariamente, nos lembrando de fazer como Maria Santíssima, nos doarmos inteiramente ao Senhor sendo quem somos, no estado de vida e idade que tivermos, sem qualquer restrição. O amor esponsal é para todos, é para cada um de nós, batizados. E este é o nosso anúncio, a grande alegria a ser apresentada ao mundo: todos são almas esposas! Isso não é para uns poucos eleitos, a eleição do amor de Deus é para todos. E de repente, ficou tão claro que é possível viver o que todos são chamados a viver, e se torna menos complicado, se nos colocarmos debaixo da poderosíssima intercessão da Mãe do Céu...

E o padre então continuou falando da cidade de Jerusalém, do templo de Jerusalém terreno e nos chamou à intercessão contínua pela paz, pela possibilidade de paz construida no diálogo e num cessar fogo urgente dos dois lados, para que menos inocentes morram e menos crianças, jovens e adultos fiquem traumatizados e feridos para sempre. E como somos uma vocação de paz, nos contou uma história verídica que muito me emocionou e tocou o coração, como quando se descobre um segredo de uma pessoa que se ama e respeita muito. Diz respeito ao Papa João Paulo II. 

Nesta segunda e terça-feira passadas, 19 e 20 de novembro, houve um retiro em Roma para sacerdotes ligados às comunidades novas, liderado por Dom Dominique Rey, arcebispo de Toulon. Participaram do Shalom, Pe.João e Pe.Denis. Ao chegarem, ontem à noite, na hora do jantar, disseram que foi muito bom e com bom humor, acrescentaram que, de ganho paralelo receberam um curso grátis de francês de alto nível, mas não entraram em detalhes porque na hora das refeições na comunidade é sempre hora de coisas light e de muito riso e brincadeiras... mas hoje na homilia Pe.João partilhou uma pérola que eu, por minha vez apresento aos leitores do blog. Ele nos contou que um dos padres que falou no retiro, Pe. Maurice qualquer coisa, partilhou em dado momento ao rezar pela paz em Israel, que ele teve a graça de ver, de estar perto do Papa João Paulo II enquanto este rezava. E contou o fato e quando: era no tempo da guerra na ex-Iugoslávia e o Papa rezava com enorme intensidade, profundamente mergulhado em Deus e só se podia ouvir sair de seus lábios duas palavras repetidas um sem fim de vezes em total confiança e súplica: Maria...Shalom...Maria...Shalom.  

pra emocionar descobrir este segredo de como o nosso tão amado Beato João Paulo II rezava mas, mais que isso, dá pra perceber o convite dele de fazermos o mesmo como almas esposas que somos por pura graça e eleição.

Rogai por nós santa Mãe de Deus, Rainha da Paz, rogai por nós! Rogai pela paz em Israel e pelos corações de todos que fazem parte daquele tão amado país. Rogai por nós Santo Padre, rogai pela paz em Israel e para que nós sejamos o que Jesus, o Senhor, o Shalom do Pai, nos chama a ser.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Vale a pena perseverar na oração?




Eu já notei que todo mundo que me escreve depois de ler o blog, adora quando eu coloco fotos pois, assim, rostos são agregados às notícias e não se precisa contar somente com a imaginação. Aqui em Roma tem um irmão da Obra, o Roberto que é um fotógrafo profissional sem ser, ou seja, não vive disso mas tem talento, curso, sensibilidade aguçada, e uma câmera fotográfica de primeira linha com muitas lentes. Ele é noivo da Malu (Maria Luiza) que formam um casal feliz, casto e santo em plena Roma do século XXI! Edificante e possível, louvável! Quem quiser ver mais fotografias do Roberto e tem Facebook é só acessar o link comshalomitaliano e se deleitar com os álbuns. Tem fotos lindas!

A missão de Roma, é a única em toda a Comunidade Shalom, que tem mais homens que mulheres! Verdadeira raridade e um grande dom para nós que com eles partilhamos essa graça da fraternidade no Carisma. Também tem todos os estados de vida o que é outra graça que faz parte da profecia da Comunidade, dom do Espírito para o mundo e a Igreja. Estes são os irmãos, todos da Comunidade de Vida, da esquerda para a direita: Pedro Júnior casado com a Kaline, pai da Clara Maria de dois anos e da Maria Giulia de seis meses, depois vem o Edie, seminarista, já no fim da teologia, em pouco tempo será sacerdote, no meio o Zeca, José Carlos ou Giuseppe, que é do interior de S.Paulo e uma figura alegre, barulhenta e muito responsável em seu trabalho apostólico. Depois o Cristiano Pinheiro, artista de renome nacional e internacional na Igreja, e seminarista que na noite da foto havia feito seus votos perpétuos no celibato consagrado pelo Reino de Deus. E pior fim o Pe.João Wilkes que foi o segundo padre Shalom a ser consagrado. Figura bondosa, bem humorado, de mansidão genuína, parece sério e é, mas sabe tirar brincadeira na hora certa, muito observador e sensível, louco por futebol. Foi meu companheiro de cozinha no domingo passado. E ter um padre na missão significa ter missa diariamente na capela da casa, homilias ungidas e preparadas na oração e na pesquisa, celebrada com aquela intensidade de quem conhece o Senhor e sabe o que faz, levando a liturgia à plenitude, no Espírito. Eu sinto muita saudade de Israel e das pessoas, do hebraico, mas sem dúvida é um dom único poder viver este tempo em Roma, no coração da Igreja, nessa missão que fez 20 anos e já passou por tantas fases...
Esta é a mais fofa de todas as meninas de seis meses que conheço: Maria Giulia, nascida em Roma, de pais missionários da Comunidade de Vida, Pedro Junior e Kaline. Este é um presente do evangelho que por misericórdia de Deus se cumpre em minha vida: como vivo longe dos sobrinhos Ele providencia crianças para eu poder amar e brincar e ajudar a cuidar quando é preciso, fazendo parte do cêntuplo prometido para quem desse a vida pelo Reino. Sem dúvida as crianças nos humanizam e me ajudam a não cair na hiper-espiritualização da vida, sendo o rosto mais fácil de Deus a ser reconhecido. Em Israel era a miudinha da Silvinha minha companheira de prematuridade, agora são as duas pricipessas Clara e Giulia. Esse cachecol cor de rosa é um charme total nas noites de Roma já bem frias, como foi a noite da consagração do Cristiano.

E o valor da perseverança na oração que é o tema deste post? É que eu tive uma experiência incrível de resposta a uma oração perseverante, diária, no meu terço que fiz por mais de dois anos. Os leitores do blog devem se lembrar daquele acidente terrível no qual morreu um rapaz de 24 anos, o Edmund,em fevereiro de 2010 que me fez ficar com um processo policial de dois anos... Pois é, o processo terminou em fevereiro deste ano o que representava a declaração de minha inocência, mas a família do rapaz nunca mais tinha falado nem comigo nem com qualquer pessoa da Comunidade. Pouco antes da minha mudança para Roma, mais uma vez o avô do rapaz ao me ver sentada no ponto do ônibus, atravessou a rua para não passar na minha frente. E assim aconteceu com os avós, que frequentavam a igreja em Isifya, e que nunca mais nos dirigiram a palavras desde o dia do acidente. Os pais não eram católicos praticantes e portanto eu não conhecia mas por duas vezes o bispo foi visita-los e depois o padre algumas vezes e eles nunca aceitaram a minha visita ou da Comunidade, o que seria mais que natural da cultura árabe. Eu nunca tive chance de pedir perdão ou de abraça-los mas sempre rezei pedindo ao Senhor pela salvação do Edmund e para que pais e avós me perdoassem e perdoassem ao neto e filho por ter feito o que fez, dirigindo uma motocicleta como um suicida. Eu nunca desisti de interceder por eles mas achei que só veria esta oração ser atendido no Céu. Porém, no dia de todos os santos, falando com a Viviane pelo skype ela me contou eufórica e surpresa que pela manhã um grupo de senhoras ligadas à Medjugorje tinham ido ao asilo rezar o terço e fazer uma visita. Lá pelas tantas uma senhora ouviu a Viviane falando em hebraico e não em árabe, se aproximou dela e perguntou se ela era a Elena. A Vivi disse que não e completou dizendo que eu estava morando em Roma. A senhora em tom irritado perguntou: mas ela não tem um processo policial contra ela? E a Vivi sem saber quem era e com muita educação explicou que o processo tinha terminado e que eu tinha sido considerada inocente, que o acidente tinha sido uma fatalidade que tinha nos feito sofrer muito. E a senhora perguntou: e porque ela nunca foi visitar a família? Porque foi essa a orientação que a Elena e a Comunidade receberam tanto do bispo Elias Chacour quanto do Abuna Samir: que os pais e os avós não queriam a nossa presença. E a mulher então acrescentou: estou vendo que você não sabe quem eu sou... e aí a irritação já havia passado... eu sou a mãe do Edmund. Se eles - se referindo aos avós - não quiserem perdoar eu não posso fazer nada, mas da minha parte está perdoado, este acidente foi uma fatalidade. O dia que vocês quiserem ir lá em casa eu os receberei... diga isso à Elena. A Vivi então a abraçou, agradeceu, comovida e disse que ia falar com a Lorena, como responsável local, para combinar essa visita. Não precisa nem dizer que eu fiquei muito comovida também, com os olhos cheios d'água, mais ainda por ser festa de todos os santos, na certeza de que todos intercederam, no mistério da comunhão dos santos...Depois meditando e agradecendo ao Senhor pela graça do perdão e pedindo a Ele que me ajude a ir a Israel ano que vem, vi também a enorme graça da perseverança na oração, de saber que estava pedindo algo que é vontade de Deus e que portanto, é só uma questão de tempo. Partilho em gratidão e ação de graças por essa grande libertação dada à família do Edmund - continuo intercedendo pelos avós - para que a fé de quem por ventura leia este post se robusteça e não desista. Se você quer a sua salvação, a salvação da sua família ou de alguém que você ama, reze, entregue, confie e espere a cada dia, vivendo o presente o melhor que pode, se preparando para ver o milagre acontecer quando você menos esperar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Até que enfim notícias do mês de outubro!

Este foi o presente que ganhei dos amigos e irmãos da Pastoral Hebraica em Haifa na última missa que participei no dia 8 de setembro (aniversário de Nossa Senhora). É um trabalho em pano como patchwork, lindo, coisa do Pe.Roman que me surpreendeu com esta delicadeza e escolheu o dizer, tirado do livro do Cântico dos Cânticos 6,3: Eu sou do meu Amado, e o meu Amado é meu. Em hebraico como está escrito acima é: Ani le Dodi, ve Dodi li. Fiquei muito emocionada na hora e bem sem graça mas guardo esse presente como um tesouro da missão onde eu recebi mais, muito mais do que dei. Talvez eu ainda de algumas voltas no mundo mas meu coração estará para sempre em Israel e se pudesse gostaria de morrer em Jerusalém... 

Acho que hoje acordei meio dramática e saudosa, mas enfim, consigo partilhar novamente no blog algumas das aventuras que tenho vivido em Roma neste novo tempo de graça e de missão que é uma continuidade da obra intensa do Senhor em minha vida desde a minha consagração que coincide com a ida para a Terra Santa.

No princípio de outubro 'tive que ir para a França' :-) para a missão de Toulon, por cinco dias para quebrar o galho da missão de Roma por causa de um desencontro. Pense num sacrifício bendito! Precisava que alguém levasse um material para o Fórum Carismático que acontecia na cidade no fim de semana e, como o único alguém desocupado era eu, acabei ganhando esse presente de conhecer o sul da França - eu cheguei em Nice de avião, que fica somente a uma hora de Roma - no último fim de semana de sol antes do frio chegar. Foi uma experiência de beleza pegar um TGV (para quem não sabe um trem de grande velocidade) e por uma hora e meia cortar o sul do país contemplando o Mediterrâneo e campos de golf numa harmonia de cores preciosa. Passei por Cannes, uma das estações no percurso mas não tinha tapete vermelho... Legal mesmo foi ser chamada de madame, 'merci madame' ao comprar o bilhete de trem. Comi muito pão com manteiga, pão e manteiga de verdade e visitei lugares que nunca pensei conhecer. Essa experiência inusitada e muito repentina - quando  me pediram para viajar era quase 11 da noite e viajei no dia seguinte na hora do almoço - me fez pensar na morte e no céu. Digo isso porque pouco antes da hora do convite estava pensando no que faria no dia seguinte e me preparava para fazer uma faxina no Centro GP II. E no dia seguinte, na hora da faxina, lá estava eu, refestelada, cercada de beleza e de surpresa, prestes a conhecer uma missão com irmãos muito bons e santos que eu não conhecia, podendo participar do Fórum Carismático e ainda passear! Muita abundância por um favor tão pequeno... Acho que a morte repentina deve ser assim: a gente se programa para uma coisa bem simples e prosaica a ser feita com fulano e beltrano no dia seguinte ou daqui a pouco, e quando se dá conta está no Céu, abraçada definitivamente por Jesus, vendo-O face a face, sem mais qualquer limite, tristeza, dor ou culpa, recebendo mil vezes mais do que poderiam merecer meus pequenos atos de amor... A experiência da França me fez pensar que a morte pode ser uma surpresa feliz.

E a foto? Foi uma feliz idéia de chamar a atenção dos jovens e de todos para a Jornada Mundial da Juventude no Rio ano que vem. O Papa Bento XVI tendo aos pés um All Star vermelho. Sou testemunha que tinha fila para sentar do lado do Papa e tirar essa foto com ele.

Em Toulon, passeando caminhando na direção do porto onde vi os iates mais maravilhosos do mundo, que só tinha visto em filme e revista. Tantos que parece estacionamento de carro. Enormes, verdadeiras casas... infelizmente a bateria do celular acabou com essa foto e quem tirou as fotos seguintes esqueceu de me enviar depois. 'Tive' que ficar em Toulon mais 3 dias e só voltar na quarta-feira porque a passagem era mais barata... mais um sacrifício.

Um dos passeios perto de uma das praias da cidade. Água azul translúcida do belíssimo Mediterrâneo. Amei de paixão. Engraçado a diferença de cultura: como havia ainda bastante sol a praia estava cheia de gente e muitas mulheres de topless, de todas as idades, mas como os franceses não tem uma cultura sensual como a brasileira, tudo parece tão natural que a gente nem nota... Mas é bom preservar a modéstia e um pudor sadio. Uma das tristezas porém, foi saber enquanto conversava com o Bruno e o Gabriel dessa missão, do número de pessoas, e jovens principalmente, envolvidos e comprometidos com o satanismo... chega a dar dor na alma. Por isso a urgência da nova evangelização, o desejo de dar a vida até o fim para que jovens, e todas as pessoas de todas as idades, possam fazer a experiência do amor visceral, encarnado, forte e eterno de Jesus, o enviado de Deus Pai para nos livrar de todo pecado que nos faz morrer... Ouvi uma homilia estes dias que me marcou o coração pois falava que quando o Senhor na Palavra nos exorta a não pecar parecendo até duro, ou quando Jesus diz à pecadora pública 'vá e não peques mais' Ele está nos dizendo: eu não quero te ver mais sofrer, eu quero você livre sem se ferir, não peques mais, em Mim você pode isso'. Não é dureza, é amor absoluto.
Só para relaxar: uma cerveja para três porque praia combina com cerveja! E viva a França!

Visitando o Monte Faron um dos três mais altos e belos montes que cercam Toulon. Na foto estou com três jovens: primeiro a Talitha, filhad do Nasser e da Debrinha que eu conheci bebê na minha primeira experiência na Comunidade Shalom na década de 90, que estava a caminho de Londres para estudar inglês por três meses, e com a Andrea Saad, da missão de João Pessoa que terminava seu tempo de estudo do inglês em Londres e depois do Fórum programava uns últimos passeios até voltar para casa. E o rapaz é o Gabriel, estudante de Psicologia, que faz uma experiência de um ano em Toulon, como jovem em missão, e é filho da Socorro Frate e do Constantino, gente antiga do Shalom de Fortaleza. Conversamos muito sobre música e falamos dos músicos católicos do tempo que eu tinha a idade dele: Keith Green, John Michael Talbot e até o Bob Dylan na sua fase cristã antes de voltar às suas raízes judaicas... Conviver com esses jovens irmãos foi uma alegria só sem contar o Bruno da Comunidade de Vida que foi nosso cicerone e tem uma voz belíssima e uma simpatia ímpar.

Só para registrar a beleza, as cores, o sol, o vento, a beleza da tarde de outono  no Monte Faron.

Amanda Pinheiro uma das maiores artistas do Shalom, que voz, que unção e que simplicidade de coração. Ela tem dois segredos: o primeiro é que ela é e quer ser sempre mais toda de Deus e o segundo é que ela é de Minas Gerais :-) Conversamos horas em mineirês e sobre comidinhas e jeitos de ser e de falar dessa terra brasileira que quem 'conhece não esquece jamais' e que abusa do direito de gerar grandes músicos. E viva a Amanda missionária em Toulon há dez anos! Tirei essa foto pensando na minha sobrinha Alessandra que sempre sonhou em conhecer a Amanda pessoalmente.

Mudança de cenário: Praça de S.Pedro no Vaticano na missa de abertura do Ano da Fé e comemorando os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II. Todos da Comunidade Shalom foram e foi um momento privilegiado vivido por nós missionários. Na foto estamos Fátima Lima, eu, Fabiana e Sarah, jovem italiana vocacionada da missão de Civita Castellana. No fim da missa pudemos ver o Papa passar bem de pertinho e devagar no meio da multidão. Ele está bem velhinho mas sua presença cheia de Deus é impressionante. Nessa missa a Tatiane Ximenes que é postulante da Comunidade de Aliança e está em Roma estudando arquitetura por um ano num programa entre as universidades brasileira e italiana, foi escolhida para ser uma das jovens a representar a juventude e receber uma carta das mãos do Santo Padre. Ela ficou muito emocionada e na hora deu branco e ela não conseguiu dizer nada do que tinha programado. Foi o Santo Padre então que pergutou se ela era italiana e depois da resposta ao ver que ela usava o botton da JMJ no Rio sorriu e disse: nos vemos no Rio ano que vem! Ela assentiu e completou: eu sou da Comunidade Católica Shalom. Ele sorriu e disse: Ah! e completou: Grazie! A Tati respondeu: Grazie! E ambos repetiram grazie mais algumas vezes enquanto ela saía. Este Papa é muito humilde...
Uma vista mais geral da praça de S.Pedro pouco antes da missa. Uma experiência muito linda que tive é que na hora de esperarmos o santo Padre passar de Papa móbile, eu fiquei do lado de um jovem oriental que eu pensei que fosse seminarista coreano. Quando eu fiz uma pergunta para alguém da Comunidade para saber de que lado o Papa vinha, este jovem me respondeu em italiano e começamos uma conversa frouxa sobre aquela missa, a vontade de tirar uma boa foto de Bento XVI, etc. Eu me apresentei e quando perguntei quem e de onde ele era descobri que ele era um sacerdote chinês de uma diocese perto de Pequim que estuda em Roma as Sagradas Escrituras, já fazendo doutorado (e eu achando que ele era seminarista). Fiquei comovida porque sei o que isso representa. Pedi para tirar uma foto e ele ficou reticente...Acrescentei: eu não vou nem mostrar sua foto nem tampouco dizer seu nome mas contar a história eu posso. Que o Senhor renove as vocações e a fé profunda do povo chinês. Que o Beato Giovanni XXIII reze por ele e pela igreja da China.
Esta foi outra grande novidade deste tempo de missão: participar do Musical Christus adaptado para 5 minutos (o original são 20 minutos se não me engano) que foi apresentado para os bispos que participaram do Sínodo da Nova Evangelização. Foi uma noite cultural de lazer que a cidade de Roma ofereceu aos bispos reunidos no Teatro mais chic, moderno, bem equipado de toda a cidade. Impressionante a acústica, as cochias, as dependências, os assentos... e nós lá, da Comunidade Shalom fazendo também a nossa oferta pelo tanto que o Senhor nos tem dado em termos de arte e de evangelização. Eu só participei porque precisavam de gente em cena e aí todos os 'meninos e meninas' foram convocados. Ensaiamos duas noites e um ensaio geral no dia no palco. Graças a Deus o autor do musical e diretor estava aqui e nos ajudou, adaptou e com seu jeito amoroso e exigente, cheio de confiança e muita experiência de que Deus é especialista em tirar leite de pedra, fez isso acontecer mais uma vez. Foi lindo! Eu quase não vi nada porque estava sem óculos mas vi  sim e senti muito no coração a alegria da ressurreição, e a alegria manifestada no todo, no grupo, no fazer junto, no ser shalom junto, por amor a Jesus, por amor à Igreja, por amor à Humanidade, por amor... Esta foi a foto da segunda noite de ensaios já com as roupas, no salão paroquial aqui em frente de casa, em Roma. Nessa experiência de teatro eu só me lembrava dos artistas da família, em especial do meu irmão caçula, o Bill que estuda teatro e é ator de verdade.

Depois de espetáculo - postei umas fotos no Facebook que me enviaram - fomos todos de ônibus tomar sorvete na Giollite que é a sorveteria mais famosa de Roma e a preferida do diretor, do amigo e grande irmão Wilde Fábio. E viva o Senhor que nos enche a vida de tantas surpresas e pequenos grandes mimos enquanto esperamos a manifestação da sua vontade. E Ele faz isso porque a sua misericórdia é eterna!
Shalom!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Professora que ama Teresa e Bob

Hoje é dia do professor e como sou professora nascida numa família marcada por essa virose crônica, felizmente sem cura, me lembrei com gratidão enorme dos alunos que tive e dos professores que tive pela vida afora. Alguns inesquecíveis, situações também memoráveis como aluna e como professora. Sempre senti uma alegria enorme e um orgulho genuíno quando era chamada de professora. Depois virei missionária mas como a doença não tem cura, volta e meia lá estou eu fazendo as vezes e sendo novamente professora.

Uma das facetas mais legais é o contato com as gerações mais novas e o desafio do relacionar-se, seja com os jovens, seja com as crianças. Acho que para um professor ser bom é saudável que ele sempre estude e sente do lado de lá da sala e faça trabalhos, perguntas, tenha tarefa de casa e observe o que faz e é um professor. E se lembre também como se prepara bem uma aula e se quer bem aos alunos, e isso sem romantismos mas com amor e competência... Só sei que é bom demais ser professora.

Não foi num contexto de sala de aula mas de troca com um jovem com idade de um sobrinho, que eu experimentei, mais uma vez, a riqueza que há entre as gerações e a amizade entre as gerações. Esse jovem faz uma experiência de um ano em Toulon, na França, num projeto que se chama 'Jovem em Missão'. E nós conversávamos sobre música e músicos cristãos e como às vezes precisamos deixar de ouvir certas músicas e optar por outras para que o coração realmente fique livre e conheça a força da Beleza... E assim o Gabriel me perguntou sobre o que eu ouvia quando tinha a idade dele (que tem 23 anos) e, de repente, minha memória deu um salto no tempo e eu me lembrei do Bob Dylan e da fase que ele conheceu Jesus e o aceitou como Salvador do mundo, como Filho de Deus.

Do Bob Dylan o Gabriel já tinha ouvido falar mas que ele cria e amava Jesus isso era novidade. Contei-lhe o que sabia: me parece que depois dessa fase cristã Bob Dylan voltou-se para suas raízes judaicas e abraçou o Judaismo. 'Que ele ame e sirva o Deus de Abraão, Isaac e Jacó e no seu coração ame a Jesus Cristo, do resto cuida Deus', disse eu, enquanto corríamos para a Internet e, no YouTube, encontramos a letra e o link de uma das canções mais legais do Bob Dylan dessa fase de conversão cristã que se chama 'Gotta serve somebody' (Tem que servir alguém) e está no álbum (não era CD ainda!) de 1979 chamado 'Slow Train Coming'. É claro que o Gabriel achou o máximo e eu me senti mais uma vez na idade dele, impactada com a descoberta de que um ídolo da música também amava Jesus. 

Partilho então o link no YouTube e a letra da música porque o que ele disse é a mais pura verdade: queiramos ou não em primeira ou última análise a gente serve a alguém, e esse alguém ou é o diabo ou a Deus. A opção só nós podemos fazer.

E onde entra Teresa de Jesus, a Santa Madre como chamam os carmelitas, baluarte da vocação Shalom, nessa história toda? É que Teresa é mestra, doutora, modelo de vida e de profunda liberdade e realização de vida. Ela era livre e servia a Deus com toda a alma e coração, com toda força, inteligência, vontade e sentimentos, como mulher, e se servia de todos os meios para que Jesus, Sua Majestade, fosse amado, conhecido, adorado... E não é esse também o meu desejo e de tantos artistas, no Shalom e no mundo inteiro?

Teresa também me encanta porque ela buscou, buscou, buscou até ser encontrada pelo Amor aos 47 anos (ela entrou no convento aos 16!) e começar de fato um caminho de amor sem volta. E ela serviu e amou a quem merece ser amado em primeiro lugar: a Deus Nosso Senhor!  

https://www.youtube.com/watch?v=dIsHsq27rhU 

"Gotta Serve Somebody"


You may be an ambassador to England or France

You may like to gamble, you might like to dance
You may be the heavyweight champion of the world
You may be a socialite with a long string of pearls.

But you're gonna have to serve somebody, yes indeed

You're gonna have to serve somebody,
It may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.

Might be a rock'n' roll adict prancing on the stage

Might have money and drugs at your commands, women in a cage
You may be a business man or some high degree thief
They may call you Doctor or they may call you Chief.

But you're gonna have to serve somebody, yes indeed

You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.

You may be a state trooper, you might be an young turk

You may be the head of some big TV network
You may be rich or poor, you may be blind or lame
You may be living in another country under another name.

But you're gonna have to serve somebody, yes

You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.

You may be a construction worker working on a home

You may be living in a mansion or you might live in a dome
You might own guns and you might even own tanks
You might be somebody's landlord you might even own banks.

But you're gonna have to serve somebody, yes

You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.

You may be a preacher with your spiritual pride

You may be a city councilman taking bribes on the side
You may be working in a barbershop, you may know how to cut hair
You may be somebody's mistress, may be somebody's heir.

But you're gonna have to serve somebody, yes

You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.

Might like to wear cotton, might like to wear silk

Might like to drink whiskey, might like to drink milk
You might like to eat caviar, you might like to eat bread
You may be sleeping on the floor, sleeping in a king-sized bed.

But you're gonna have to serve somebody, yes indeed

You're gonna have to serve somebody,
It may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.

You may call me Terry, you may call me Jimmy

You may call me Bobby, you may call me Zimmy
You may call me R.J., you may call me Ray
You may call me anything but no matter what you say.

You're gonna have to serve somebody, yes indeed

You're gonna have to serve somebody,
Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.

sábado, 6 de outubro de 2012

As perguntas de Francisco

Não tive tempo de escrever ontem como pretendia mas como minha mãe gosta de dizer: no Céu não tem calendário, quem disse que só pode falar de S.Francesco, o Chico e Assis, no dia 4 de outubro? Para mim uma incansável fonte de inspiração é a lembrança corajosa desse santo que passou anos da vida rezando com duas perguntas: Senhor, quem és Tu e quem sou eu? Em linguagem bíblica é o mesmo pedido do povo de Israel: mostra-nos a tua Face, Senhor! É a tua Face que nós buscamos. E Jesus nos disse, prometeu: eu conheço as minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem a mim. Esse pedido orante de Francisco é uma bela oração a ser imitada para quem de fato quer conhecer-se segundo os olhos de Deus. Engraçado que S.Teresinha, festejada no dia 1 também rezava e dizia da sua busca: eu sou o que Deus pensa de mim. E como é que a gente descobre a resposta? Que desafio...
Por estes dias, no entanto tive um clic através de uma homilia muito ungida feita pelo Pe.João Wilkes ao comentar o evangelho do dia onde Jesus pergunta: e vós quem dizeis que eu sou? Jesus inverte a pergunta! Ele também quer ouvir de cada um de seus amigos quem nós somos para Ele. O padre explicava que Jesus tinha três níveis de percepção de si: aquela que o Pai lhe dava em oração, aquela que os amigos, discípulos mais próximos lhe comunicavam e aquela mais genérica, do povão. Que nós também devíamos aprender com Jesus a buscar esse auto-conhecimento gerado pelos nossos níveis de relacionamento, banindo todo medo da fraternidade e fazendo da resposta de Deus a única resposta absoluta. E esta é absoluta porque é a única que tem amor sem medidas. E posso dizer por mim: preciso tanto conhecer esse amor que é a própria medida da humanidade, a própria medida de mim... Esse amor de Jesus que não cansa e não se cansa.
Francisco, um dos santos mais encantadores de toda história, o Poverello que foi tão amado e queria aprender a amar e por isso pedia para crescer nesse conhecimento de Jesus... Assim passei o dia de ontem, fazendo minhas as palavras do santo que tanto influenciou o carisma shalom, no amor esponsal, no desejo de minoridade, na atitude sincera e contínua de louvor e também na sede de um auto-conhecimento libertador e gerador de vida.
Salto de Francisco para divulgar uma entrevista que achei importante, publicada no Zenit que mostra mais e mais a importância de lutarmos e aderirmos à luta pela vida - onde há vida Deus está! - e a denúncia de toda manipulação de dados para justificar o injustificável: a aprovação legal do aborto no nosso país. Vivamos e nos empenhemos para não haja mais nenhuma morte de bebês e também de mães. Que não haja mentiras. Pelos frutos os conhecereis, as sementes da verdade e da vida precisam prevalecer, é uma luta sem tréguas.
E se comprometer com a vida do outro, de qualquer outro, também dos bebês nos ventres de suas mães e cuidar das próprias mães é evangelizar. Evangelizar é uma obra completa que vai do primeiro anúncio à vida plena em Jesus Cristo, na sua Palavra, em todas as dimensões da vida. Não é uma ideologia, um bando de conceitos e pensamentos meramente humanos, regidos pela subjetividade mais em voga. Evangelizar e ser evangelizado é ser e viver aquilo que Deus pensa e sonhou para mim e para todas as pessoas. Tem uma dimensão pessoal de consequências socias. Tem um começo e muitos recomeços, tem sempre a pergunta: quem sou eu, que Tu queres de mim, como faço para melhor conhecer teu Coração? e só terá fim na hora que voltamos para casa, na eternidade, onde não mais haverá perguntas, só respostas..
Norma Técnica ministerial pode legalizar o aborto no Brasil?
Entrevista com Dra. Renata Gusson
Por Thácio Siqueira
SAO PAULO, segunda-feira, 01 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir uma entrevista que a Dra. Renata Gusson, bioquímica e mestre em ciências, concedeu a ZENIT sobre o tema do aborto no Brasil.

Dra. Renata Gusson é Farmacêutica-Bioquímica, especialista em Biologia Molecular e mestre em Ciências pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

ZENIT: Dra. Renata, explique-nos como uma Norma Técnica ministerial pode legalizar o aborto no Brasil uma vez que a população é majoritariamente contrária ao aborto?
Dra. Renata: é realmente de pasmar qualquer cidadão que vive em uma democracia, não é mesmo? O assunto não é simples, e quem considera o aborto apenas um “problema de saúde pública” não tem a menor ideia das implicações realmente profundas que ele tem na geopolítica. Como é um tema complexo, eu não poderia em poucas linhas apresentar de forma adequada sua gravidade. Sugiro a leitura do documento “Maio de 2012, a nova estratégia mundial da Cultura da Morte”, publicado recentemente pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB. Entretanto, para não deixar o leitor sem uma resposta, eu posso adiantar que, devido à altíssima resistência à legalização do aborto verificada na América Latina, criou-se uma nova estratégia para vencer esse obstáculo. Trata-se de normatizar que, a fim de garantir uma política que vise “reduzir os danos” de um aborto clandestino mal-provocado, o Sistema de Saúde brasileiro deve passar a acolher e orientar as mulheres que desejam abortar. A essa mulher seria explicado como tomar um medicamento abortivo e, tão logo começasse o processo de expulsão da criança, ela se dirigisse a um hospital que seria obrigado a recebê-la de forma “humanizada” e completar o procedimento. Seria proibido ao médico denunciar um caso de aborto provocado. É justamente isso que, na prática, se traduz como uma legalização do aborto. Os idealizadores de tal estratégia afirmam que é preciso burlar a lei para modificar a lei. Portanto, uma vez que essa política tenha sido implantada e largamente difundida, ficará muito mais fácil promover mudanças na legislação. É uma manobra astuta.

ZENIT: Dados divulgados por organizações pró-aborto afirmam que anualmente são feitos no Brasil mais de um milhão de abortos e que 200.000 mil mulheres morrem todos os anos devido a abortos clandestinos.
Dra. Renata: Eu costumo dizer que quem advoga pela morte dos inocentes já perdeu faz tempo o compromisso com a verdade. Esses dados realmente são difundidos a plenos pulmões por organizações pró-aborto. O que dizer deles? Dizer a verdade: são falsos. E não sou eu, que sou contrária à legalização do aborto que digo isso. São os próprios abortistas e o próprio Sistema Único de Saúde que assim afirmam. Para citar um exemplo: em 2010, a “Pesquisa Nacional do Aborto” realizada pela Universidade de Brasília em parceria com a ANIS (uma ONG pró-aborto), mostrou que de cada 2 mulheres que cometem aborto, uma acaba sendo internada. Dados do SUS revelam que, no mesmo ano, foram realizadas cerca de 200.000 curetagens devidas a abortos (tanto provocados como espontâneos). Médicos que trabalham em emergências obstétricas de hospitais públicos em todo o Brasil afirmam que cerca de, no máximo, 20-25% das curetagens são devidas a abortos provocados. A grande maioria é por abortos espontâneos. Vamos então raciocinar: se anualmente são feitas 200.000 curetagens e dessas, no máximo, 25% são devidas a abortos provocados, chegamos a um número de 50.000 abortos provocados. Se a pesquisa da UnB afirma que de cada 2 mulheres que abortam uma acaba recorrendo ao serviço de saúde, temos que são realizados, de fato, cerca de 100.000 abortos anualmente no Brasil. Esse número representa então, apenas 10% dos tão propalados um milhão de abortos no Brasil. Mas essa é uma estratégia já há muito conhecida: é preciso inflacionar a realidade para chocar a opinião pública. Outra inverdade contada para nós: o número de mortes maternas por aborto. O DataSus revela que no ano de 2011 ocorreram  95 mortes maternas devido a abortos (novamente aqui, tanto abortos espontâneos quanto provocados). Então, só nos resta perguntar: o que ocorreu com as mais de 199.900 mulheres que os abortistas afirmam terem morrido em decorrência de abortos mal-provocados? Elas simplesmente despareceram? Mentiras e mais mentiras. Isso é tudo o que os abortistas contam para nós.

ZENIT: Realmente, são informações importantes para o conhecimento da população.  Deixe uma mensagem para os leitores de Zenit.
Dra. Renata: Eu quero dizer que não podemos cair na mentira de aceitar o aborto como algo inevitável; como se fosse uma realidade que veio para ficar e contra a qual nada ou muito pouco podemos fazer. Muitíssimo pelo contrário. Ficou evidente no que acima foi dito, que os abortistas contrariam o bom senso, a verdade, a boa-fé. O avanço da agenda abortista só é possível se nós não fizermos absolutamente nada em contrário. Basta um pouquinho de atuação para que as coisas sigam o rumo certo. A verdade carrega uma força em si mesma. Quando você mostra para uma pessoa o que é o aborto e ela apreende a maldade do ato, nunca mais ela cairá na mentira de aceitar o aborto como, por exemplo, um direito da mulher. Então, eu sugiro aos leitores que divulguem para seus contatos vídeos sobre o aborto, como por exemplo, o “grito silencioso”, produzido por um médico ex-abortista norte-americano. É preciso fazer as pessoas verem sobre o que se trata o aborto: a morte dos inocentes mais indefesos. Outra importante iniciativa é contactar o seu representante político e cobrar dele uma atuação pró-vida com o poder que o seu voto deu a ele. Estamos em uma luta real. Não podemos nos deixar anestesiar ou fazer de conta que não existe problema algum. Para vencer uma batalha, a primeira coisa a fazer, é tomar consciência que não se vive tempos de paz. O nosso tempo, apesar de não se caracterizar por uma luta armada entre exércitos inimigos, caracteriza-se sim por uma luta velada contra os inocentes. O volume de sangue derramado pelo aborto já ultrapassou e muito qualquer outra guerra existente. Eu ousaria dizer que já ultrapassou, inclusive, o volume total de sangue derramado por todas as guerras já existentes. De que lado vamos lutar?