quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pequenas conversas

Foi no dia 25 de março que isso aconteceu. Eu estava em Nazaré celebrando a grande festa da Encarnação de Jesus no ventre da Virgem Maria e também meu segundo aniversário de consagração. A basílica superior estava se enchendo de peregrinos do mundo inteiro e de fiéis e religiosos que vivem espalhados na Terra Santa. Eu cheguei um pouco mais cedo para pegar lugar na ponta do banco, nem tanto atrás nem tanto na frente onde ficam o coral e geralmente as pessoas mais velhas - eu estou quase entrando pra essa turma. Quando começou o canto de entrada apareceu a Ir.Paul (é isso mesmo Paul e não Paula), que é de Isifya da congregação das Carmelitas de S.José onde nós assistimos missa de segunda a sexta, completamente perdida procurando um lugar. Naturalmente dei o meu, e fui me dirigindo para o fundo da igreja quando um casal de irlandeses, descobri no fim da missa, me chamou para ficar do lado deles esprimidinha entre eles e uma senhora. E a celebração corria solta alternando orações em árabe e cantos em latim e a senhora do meu lado com fisionomia de gringa, nos seus 60 anos, acompanhava tudo com jeito de quem sabia ler música com facilidade. De repente, quando começou a oração eucarística, ela se virou para mim, perguntou se eu falava inglês, e me fez uma pergunta inusitada: 'eu já posso ir embora ou ainda tem alguma coisa importante para acontecer?'. Por causa da minha fisionomia surpresa ela emendou: '...eu não sou católica'. Pensei comigo mesma: 'deve ser protestante'. Respondi então, rapidamente, que ela esperasse a consagração e a hora da comunhão, o ápice da celebração, para poder se retirar, e comecei a instrui-la. Na hora da consagração eu me ajoelhei e fiz sinal para ela fazer o mesmo e a resposta que recebi me surpreendeu mais uma vez: 'sou judia, e judeus não se ajoelham...' e permaneceu sentada. Continuo me perguntando até agora o que isso significa. Quando me ergui a senhora explicou-me em breves palavras, que nunca tinha entrado numa igreja na vida, que morava em Jerusalém e que estava ali acompanhando um casal francês, amigos católicos, que peregrinavam na Terra Santa. Eu achei interessantíssimo conhecer uma pessoa que nunca tivesse entrado numa igreja na vida! Mas o mais lindo foi o que se seguiu: eu perguntei se ela sabia o Pai-Nosso e ela disse que já tinha ouvido falar. Então juntas, uma cristã e uma judia, de livrinho em mãos cantamos em árabe na casa de Nazaré, a oração perfeita que o Senhor nos ensinou, pedindo que o Seu Reino viesse. Fiquei profundamente emocionada com um gosto suave na alma, fruto da oração escondida mas não menos efetiva pela unidade e pela paz na Terra Santa. Era já uma antecipação da Páscoa do Senhor!

Um comentário:

Carmen disse...

Continue firme em sua caminhada.
FELIZ PÁSCOA!
Com carinho e saudade.