sábado, 13 de junho de 2009

Fotos da Semana de Festa - 3a feira

Dizem que a festa mais animada foi na 3a feira quando o Hanna, de blusa preta ao lado do Tennesse, mais os dois filhos adultos que dançam muito bem e sabem os passos folclóricos, botaram pra quebrar!

Aí está a prova do quanto se dançou: não somente nos casamentos judeus os noivos são erguidos, também na tradição árabe. Foi lindo e uma boa prévia do que acontecerá no domingo. A noiva na cadeira e o noivo no ombro de um amigo... A Silvânia nem medo teve e o Tennessee magrinho facilitou a vida do marido da Amal.

Esta foto é muito especial: a Abla, uma senhora do asilo que tem Alzheimer, figura quase folclórica de Isifya onde sempre teve influência e passou toda a vida que, com outras idosas que têm condições de se locomover, veio participar das festa e fez questão de dançar com o Tenne.

Só para se ter idéia da mesa com as comidinhas gostosas
e a Silvânia sorridente e feliz.

Tinha esquecido desta foto no domingo da Santíssima Trindade quando celebramos com o Pe.Bonaventure e o Pe.José, ambos carmelitas, no Murahkah, nosso refúgio de sempre. Infelizmente o Pe.Alberto, de quem sempre falo teve que viajar às pressas para o México por conta do falecimento da mãe e não voltará a tempo para o casamento. Este foi o último domingo que passamos juntos com os noivos ainda solteiros...domingo que vem é...
honey-moon em Tiberíades! Insh Alla!
Vale a pena conferir as mensagens dos dias anteriores para ler sobre esta semana de festas que antecede um casamento árabe-cristão, e o que representa este momento para a Comunidade Shalom, e ver fotos especiais!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Fotos da Semana de Festa - 2a feira

Silvania e Tennessee no primeiro dia de festas, segunda-feira, com algumas jovens nossas vizinhas. As de véu são muçulmanas. As demais da Obra.

Mais vizinhos, amigos, gente da missão, vocacionados, e alegria estampada no rosto dos dois. Era o primeiro dia!

Nesta foto os mais adultos, também vocacionados e grandes amigos. Hanna e Lucy estiveram no Brasil no jubileu dos 25 anos!

Essa foto vale ouro! O casal dançando animadamente a alegria do amor, alegria de chegar até aqui depois de uma grande obra de Deus! Como é bom ser Shalom! Bendita seja a fidelidade do Senhor como eles gostam de repetir!

Hora em que as mulheres dançam juntas. Na ordem: Yara, Paula (em experiência, é do Equador), Lorena, Maria e Ronete (vocacionadas), Silvania e Roulla (também vocacionada que esteve em Fortaleza em 2008).
PARA LER SOBRE A SEMANA DE FESTAS, LEIA A MATÉRIA ANTERIOR A ESTAS FOTOS, QUE ESTÁ LOGO ABAIXO.
SHALOM!

Uma semana de festa!

De um jeito bem inculturado e árabe de celebrar o dom do amor entre um homem e uma mulher, nesta semana, desde segunda-feira temos tido festa em casa, preparando o casamento da Silvania e do Tennessee. Começa por volta das 20 e termina por volta da meia-noite. Digo por volta porque nada que se refira a horário no mundo árabe é exato e preciso: pode ser meia hora antes ou meia hora depois... Às vezes me pergunto como os árabes fazem para viver na Dinamarca e na Noruega com aquela precisão escandinava... Comentários a parte, tem sido uma alegria só e uma canseira sem fim, honestamente, mas tem valido a pena demais! Como escrevo do trabalho não tenho fotos aqui comigo mas as postarei a seguir.

Os vizinhos, crianças e adultos, drusos, muçulmanos e cristãos, e os amigos da Obra, vocacionados e participantes do grupo do oração, se revesam nos petiscos e doces, refrigerantes, sucos para a noite e a música árabe corre livre! Isso sem contar os idosos do asilo que fizeram questão de ir. Nunca se sabe exatamente quem vai, e as pessoas simplesmente aparecem, e a cada noite a casa enche! Como missão e família, preparamos a casa com uma faxina caprichada e o jardim foi todo capinado - voltou a ser jardim! A cada noite uma travessa imensa de tabule é preparada e servida, junto com charutos de folha de uva. Cada um se levanta e se serve e nós, anfitriões, sob a supervisão eficiente da Vivi(ane), vamos coordenando a distribuição das bebidas e comidinhas. O tabule não pode faltar de jeito nenhum, assim como não falta pão de queijo em festa de mineiro, tapioca em casa cearense e empadinha no Rio de Janeiro... Ai que saudade! deu água na boca!

As cadeiras de plástico se espalham na área externa da casa e os grupos de amigos, mulheres e jovens conversam e cantam e, quem quer, se levanta e dança as melodias árabes típicas. E é fantástico porque todos querem e me parece que dançar faz parte do 'jeito árabe der ser', e dos 9 aos 90 todos se expressam e participam nas palmas e na voz, partilhando a alegria de celebrar o amor de mais um casal e família que surge. As músicas, meio folclóricas, tradicionais, passadas de geração em geração, são sabidas de quase todos - infelizmente os jovens estão se ocidentalizando e perdendo este patrimônio cultural - e, as letras na maioria, cantam os encantos da noiva. Ela é, mais do que em qualquer outra cultura, o centro das atenções de todos, não só do noivo!

Testemunho aqui a grande experiência de inculturação e de adesão e oferta de vida à missão na Terra Santa, como consagrados e vocação Shalom, que Tennessee e Silvania fazem e aprofundam. Dizem as crônicas que no Brasil eles sempre se sentiram tímidos e pouco à vontade para dançar, não sendo este o 'forte deles'. No entanto, aqui, se dispuseram a aprender e a vencer esta barreira para poderem abraçar integralmente a cultura que vivem, por amor a Jesus, por amor ao Evangelho, por amor! E tome dança! As melodias árabes tão estranhas para os nossos ouvidos acostumados com o pop, a mpb e outras linhas melódicas, tanto sacras quanto populares, também no modo de interpretar e usar a voz e outros instrumentos, estranha um pouco, a princípio, mas com o passar dos meses e pelo contexto geral, aprende até a gostar. É o meu caso. O mesmo acontece com a hululação que na TV a gente só vem em momentos de dor e desespero, quanto as mulheres, geralmente muçulmanas, aos prantos, choram as mortes trágicas de seus filhos e maridos. No entanto, as frases rimadas puxadas livremente em tom muito agudo por uma mulher, cantam e expressam também a festa, o amor. E todos os presentes, com uma das mãos sobre a boca, respondem hululando alegremente. A Lorena sabe fazer direitinho mas só em casa, no meio do povão fica meio envergonhada...

Hoje teremos a última noite que promete ser muito boa! E é dia dos namorados! No decorrer da semana tive uma certeza intuitiva, nada provada pela exegese mas pela experiência humana, cultural deste tempo privilegiado que vivo, de que Jesus, Maria e José e todos os apóstolos deveriam dançar muito bem e lindamente... Só de pensar me emociono! Mas não há dúvida, afinal, em Caná como descrito em João 2, houve também uma semana de festa e quando o melhor vinho foi servido dá para se imaginar a redobrada celebração, a cantoria, as palmas.
Também conosco O Esposo, Jesus, O Amado, dança e festeja! Ele está no meio de nós! E Sua Mãe, Maria Santíssima intercede pelos noivos para que não falte em suas vidas o vinho novo do Espírito, o amor esponsal, fonte de toda verdadeira festa e alegria!
Shalom!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sombras e Luzes

Apesar de saber que a vida não se retrata em preto e branco, somente duas cores, mas manifesta seu mistério por causa das nuances e jogos de luz e sombra, me parece que as pessoas hoje em dia, ao contrário da vida, fazem escolhas extremistas que as divide em dois grandes grupos: os que amam a Deus e os que O rejeitam conscientemente em nome da uma pretensa modernidade intelectual.

Há cada vez mais pessoas, famílias, jovens e adultos, leigos, muito leigos, consagrados e não consagrados, vivendo intensamente a vida em Deus, buscando a primazia da sua presença e vontade, em tudo que fazem e são. É uma multidão que decidiu amar e fazer transbordar das margens do próprio coração a força da ressurreição, do amor e da fé em Jesus Cristo e em sua Palavra. São pessoas que caminham contra a maré do relativismo moral e existencial que faz de si mesmo a medida de todas as coisas. É gente de coragem que depende de Deus, que busca comungar e estar com Ele em amizade, pela oração pessoal e vida sacramental assídua, na Eucaristia diária, na busca da reconciliação constante, no exercício da piedade e do perdão. E gente buscando relacionamentos sadios de amor e amizade intensos e fortes, mas onde a medida não é a sensualidade e manipulação do corpo e dos afetos alheios! Tem tanta gente que decidiu olhar para si mesmo com os olhos apaixonados e positivos com que Deus os olha!

Infelizmente há também uma mentalidade que resolveu chamar os cristãos e especialmente os católicos de obscurantistas. E obscurantistas porque defendem a vida em todos os momentos, porque dizem não ao aborto, porque crêem que Deus e o que Ele revelou de si através de sua Igreja, Palavra e apóstolos é a medida das coisas, porque acreditam que os homossexuais são filhos amados de Deus mas que família é uma combinação entre um homem e uma mulher, enfim, os católicos tem sido ridicularizados porque crêem e amam aquilo que a mentalidade do mundo descarta e julga ultrapassado.

De certa modo é tempo de abraçarmos a bem-aventurança que se revela nesta experiência de sofrimento por causa de Deus e, ao fazê-lo, firmamos nossas convicções, sem enrijecer o coração. Pois, para nós, a medida é exigente, a medida é Jesus Cristo, o verdadeiro homem! Ele é a medida de tudo o que é verdadeiramente humano, para todas as realidades humanas, femininas e masculinas, sociais, subjetivas e objetivas! Somente nele coincidem a Verdade e a Liberdade, somente Ele é fonte absoluta de amor e felicidade! Nisto cremos, por isso vivemos, pois Nele se encontra a fonte de sentido para todas as realidades.

Evidentemente que reconheço dentro de mim e ao meu redor - e cada um conhece as pedras que tem no próprio sapato enquanto percorre os caminhos da vida - que este ideal e plenitude de ressurreição e paz ainda não foi alcançado. E como é duro ver tanto sofrimento e desumanidade ao nosso redor! Como é duro ser massacrado diariamente pela força do mal e da injustiça, do pecado e do medo, da desumanização das pessoas e dos relacionamentos... às vezes tudo parece perdido e sem esperança, e nossa fé é atingida. Mas a santidade é uma maratona a ser vivida nas entranhas pessoais e na experiência comunitária, no exercício constante, na determinada determinação de ir além tendo Jesus como meta! Ele é a meta, Ele está sempre próximo e ao alcance! Ele e somente Ele tem a medida de cada pessoa humana, tem a minha medida de felicidade e realização, tem a quantidade de amor - o amor esponsal - que preciso receber para ser feliz como um passarinho livre! Somente Jesus revela e mostra a beleza e o mistério da vida e ensina a viver e a sofrer, até a morrer!

Creio que somente os cristãos não têm medo das sombras e das nuances da existência humana e da vida pois, em qualquer realidade que se pensar, damos de cara com Jesus Cristo, o Senhor, e o mistério de Sua comunhão com a natureza humana. Enquanto que todos aqueles que nos chamam de obscurantistas, ao se auto-autorizarem a fazer todas as coisas, pensar todas as coisas, colocando-se como medida, apresentando 'um moralismo vago que quer apagar Deus da vida pública da humanidade', como diz Bento XVI, estão na verdade, levando a humanidade para a beira do precipício, cegos guiando outros cegos como nos fala o Evangelho.

A opção pelo amor ardente a Deus e ao seu Reino continua a disposição. Nossa alma imortal tem saudade e anseia por esta comunhão de amor e o GPS que há no interior de cada um aponta o caminho de casa, a casa do Pai. E lá não há intelectuais e analfabetos, doutores e empregados, gays e heteros, modernos e ultrapassados, extremista de lá ou de cá, não há categorias, nem muçulmanos, nem judeus, nem democratas ou republicanos, petistas ou anti-petistas, há somente filhos e filhas amados convidados ao banquete do Amor e da Misericórida...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mais Fotos - Outras Notícias

Domingo, 31 de maio, fim da missa, hora de voltar para casa. Antes porém, tirei foto com minha amiga e colega de trabalho Lubna, que participou do dia conosco. Ela é assistente do Arcebispo Elias Chacour nos últimos 9 anos e é uma pérola de pessoa. Somos muito unidas. Convidei-a a acompanhar D.Elias quando ele for ao Brasil este ano, em outubro, para o Fórum Carismático em Fortaleza, e ela aceitou. Só fez uma ressalva: que eu tenho que ir junto. Disse para ela conversar com S.José, o ecônomo da Providência Divina pois vontade não falta, faltam outras coisas... Vamos ver quais surpresas nos esperam...

Em nossa vida comunitária a rotina é alternada com novidades e surpresas. Desde a semana passada parte do horário da manhã, após a oração pessoal e o estudo bíblico que caracterizam a Comunidade de Vida, tem sido gasto arrumando a casa, ajeitando as doações que Tennessee e Silvania ganharam para construir a vida de casados.
Na foto Tenne está pintando uns vasos para colocar na sala e perto dele o Leandro dava uma recalchutada no fogão. E havia os que lavavam os tapetes e limpavam o sofá. Tudo de segunda mão mas em ótimo estado e, quando a gente vive da Providência, há uma alegria particular quando se testemunha os mimos da fidelidade de Deus, não só para si mesmo mas para com os irmãos.
Essa faxina ampla, geral e irrestrita que inclui o jardim que estava uma verdadeira floresta, abandonado há meses, é fisicamente cansativa mas a gente ri e se diverte muito também. É sabido que o amor e o riso partilhados, enriquecem a alma e relaxam a mente. Minha participação se dá à noite quando eu ajudo a noiva a arrumar os armários, a dobrar as coisas, cobertores, panos de prato e toalhas, buscando a melhor lógica e o melhor espaço. Ninguém me entende quando eu digo que para mim isso é lazer e descanso...



Nascida no Equador esta jovenzinha de 18 anos, Paula Raquel apelidada de Tocaia, que significa xará no espanhol da terra dela, está fazendo uma experiência de três meses na Comunidade de Vida Shalom. A história de como ela veio parar na Comunidade é coisa de livro, interferência de Deus, manifestação evidente da Sua Vontade. Mas sobre isso eu comento outro dia. Hoje fica a foto da caçula da casa passando verniz numa mesinha de cabeceira doada. Claro que na véspera ela mergulhou as pontas do cabelo no verniz e deixou-os brilhando demais... mas deu tempo de lavar e aprender que para esse serviço há que fazer um rabo-de-cavalo no longo e saudável cabelo de índia que Deus lhe deu.


Este é o apego dos apegos: Junia e Lorena, Lorena e Junia! Tirei a foto a pedido das duas na parte interna da casa das irmãs maronitas que nos acolheram para a missa de Pentecostes. Fora a brincadeira, o amor e a amizade delas é grande e a Lorena com seu coração maternal e longa experiência missionária de quase uma década, sabe ouvir e dar o apoio que a Junia precisa neste tempo missionário começado há poucos meses. Ela é da missão de Nazaré e uma gracinha de pessoa, também artista.

Vocês se lembram deste muro e deste vale na missa do Papa em Jerusalém? Pois os franciscanos em seu capricho cumpriram o que prometeram: montaram o vale sem perder uma oliveira sequer e, depois da partida de Bento XVI, replantaram as centenárias árvores, recobrindo o vale e devolvendo à área sua fisionomia original. Incrível! Quem esteve na missa viu as obras e quem não foi só na visita do próximo Papa ou na próxima visita deste, o que é pouco provável...

Shalom! Deus abençoe! Que vivamos em santidade este Tempo Comum!

E que o Senhor console de maneira que só Ele pode fazer, com o Seu Espírito, o coração dos familiares, mães e pais, filhos e filhas, que perderam seus parentes neste desastre aéreo da Air France.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Fotos de Pentecostes - Parte 2

Depois do tempo de oração no Cenáculo nos espalhamos livremente nas áreas verdes de Jerusalém e partilhamos nossos lanches, sucos, sanduiches e guloseimas pois era hora do almoço. A seguir, quem quis, perambulou pelas ruas da cidade, rezou no Santo Sepulcro ou simplesmente conversou fiado. Às 3 horas nos reunimos num convento de religiosas maronitas para celebrarmos a Eucaristia de Pentecostes. No fim da missa eu e a Cristina com nossa 'testemunha', Father Bonaventure, carmelita, tiramos essa foto como lembrança da nossa consagração à Nossa Senhora, feita no Cenáculo. Para mim é a quarta renovação, e para ela a primeira vez, mas ambas estávamos emocionadas e muito felizes!
Procuro me preparar segundo o método de S.Luiz Grignon de Monfort, durante o tempo pascal para que a oferta de vida seja feita em Pentecostes. Parece que Nossa Senhora é especialista em escolher 'escravas' bem fraquinhas para fazer delas grande mulheres! Comigo ela tem tido uma trabalheira enorme... pense numa criatura marcada pela rebeldia e pelas concupiscências... mas que meu coração e alma anseiam pelo que Deus quer, ah! isso é verdade. Com certeza a linguagem do século XVIII quando o texto foi escrito é muito distante da nossa realidade, mas se pela fé e pelo desejo de ir além, ultrapassamos a barreira imediata e seguimos até o fim, o mistério espiritual que passa a acontecer na vida, na alma, nos levando à vivência radical do Evangelho e do batismo recebido é realmente palpável. Recomendo a quem quer crescer na vida de comunhão com Jesus, na vida de oração, na vida espiritual, que arrisque se tornar escrava de Nossa Senhora... às vezes a gente vem parar na Terra Santa! Ah! A foto que estamos segurando é uma pintura de Pentecostes, tendo Nossa Senhora, a Esposa do Espírito no meio. Tivemos que fotografa-la de lado para não brilhar o reflexo do flash.

Esta é visão da capela no canto final, canto de ação de graças. Em primeiro plano, à esquerda, temos o líder da peregrinação, o grande amigo e irmão da Comunidade de Vida, Tennessee, que se casa em poucos dias (dia 14), com a Silvânia. No violão está a Yara e sentada com o pequeno Yussef no colo, está a Vivi(ane). E atrás o povão.


Que grande e extraordinária surpresa quando no meio da nossa cantoria e ungida oração no Espírito, vemos o padre Roberto Lettieri fundador da 'Fraternidade Toca de Assis', entrar no Cenáculo para rezar conosco. Ele está na Terra Santa para um ano sabático, vivendo em Jerusalém, e não poderia deixar de ir ao Cenáculo no único dia que ele está aberto. E o povo aproveitou: teve gente que entrou na fila para receber oração mais de duas vezes...Esta foto preciosa mostra dois belos filhos de Deus!

Eu encomendei esta foto como lembrança porque o dia de primavera estava esplendoroso e esta visão das muralhas da Jerusalém velha é preciosa! Os nortistas do Amapá, Leandro e Cristina, irmãos e amigos, companheiros de missão, estavam junto e aproveitaram a chance. A verdade é que eles 'adoram aparecer no blog'... kkk!



Não nasci jornalista nem fotógrafa, mas tem horas que eu consigo fotos únicas. Esta foi uma delas: estes eram os 4 padres que passaram conoso o tempo de oração no Cenáculo. Da esquerda para a direita: Pe.Deni, ou abuna Deni, salesiano libanês que mora em Haifa, que foi o principal celebrante da missa e nos acompanhou no dia de peregrinação. A seguir Father Bonaventura, carmelita, meu grande amigo e professor, que viajou conosco todo o tempo, no mesmo ônibus. Ele é muito querido de todos nós! Depois o Padre Roberto e por fim um franciscano conventual polonês, que estava na minha frente na oração do Cenáculo com duas amigas, tipo peregrinas, e que se espantou demais com tudo, ao mesmo tempo que foi bastante tocado. A gente via nos olhos e na expressão do rosto. No final conversamos um pouquinho. Não guardei o nome (em polonês fica difícil!), mas me lembro que ele mora em Jerusalém e que nunca tinha visto um Pentecostes como aquele... Nem ele nem eu!
Shalom

terça-feira, 2 de junho de 2009

Alegria em Pentecostes - Parte 1

E não é que a salinha no andar superior estava aberta à visitação e eu entrei lá e rezei em todas as línguas que sabia, chorei com todas as lágrimas que pude e me alegrei intensamente no Espírito e em meu espírito, por poder ver e viver o que estava vivendo: Pentecostes no Cenáculo em Jerusalém !?

O lugar é pequeno, cabem umas 80 pessoas de pé, em círculo, no máximo, mas aquelas pedras testemunharam grandes mistérios: Jesus lavando os pés dos apóstolos, partindo o pão e fazendo berakah, criando e instituindo a Eucaristia e depois da sua morte, o Cenáculo transformou-se em refúgio, com certeza a primeira igreja do mundo! E os mistérios continuam: foi para lá que Maria Madalena correu para contar que tinha visto o Senhor ressuscitado, foi de lá que Pedro e João correram para chegar ao Sepulcro, vazio. Aquelas pedras brilharam na presença de Jesus Vivo que seguramente esteve ali com os apóstolos que com Ele comeram e conversaram, muito especialmente Tomé, que aos prantos declarou: meu Senhor e meu Deus!´

Ao escrever meu coração ainda salta de emoção e de gratidão tamanha a força da experiência que tive, eu e as mais de 50 pessoas ligadas à Comunidade entre amigos, parentes dos amigos, recém-convertidos, aqueles que Deus escolheu, para derramar a força do seu amor em um novo Pentecostes. Foi demais! Quando eu olhava para aquelas pedras, simetricamente dispostas em quatro paredes altas, terminadas em arco, e pensava no que acontecera ali antes e depois da Ressurreição de Jesus minha alma pulava de alegria! E minha mente não parava de pensar: Jesus Vivo e glorioso, com as marcas da Cruz em seu corpo esteve neste lugar que meus olhos contemplam! Ele! Ele mesmo, transfigurado!

Um dos mais fortes insights ou iluminações foi compreender que ali também nasceu a vocação Shalom como germe fecundo e eterno a ser manifestado no tempo e ha história na Eucaristia do dia 9 de julho, 1982 anos depois na presença de João Paulo II, sucessor de Pedro. Foi ali que Jesus expressou e soprou seu Shalom e Seu Espírito para os seus... outro incrível mistério do tempo e da hora do Pai. Entendi como nunca o que significam as palavras de Jesus a respeito da obra do Espírito Santo que revelaria toda a Verdade...

Nós entramos no Cenáculo por volta das 11 horas e lá ficamos por mais de hora cantando, louvando e longamente cantando no Espírito e orando uns pelos outros. A portinha de entrada aberta a todos atraiu e levou alguns turistas e peregrinos a terem uma experiência inesperada de toque profundo do Amor de Deus, o próprio Espírito Santo. Houve muito choro de libertação, muitas almas sendo lavadas, muitas pessoas encontrando Jesus ressuscitado! E a música não acabava, sendo regida pelos anjos. Sem muita preocupação com o tempo adoramos o Senhor e usufruimos de Sua ação e presença entre nós. Mais uma vez suplicamos a poderosíssima intercessão de Nossa Senhora para que a promessa de Jesus se cumprisse, e nós tocamos com nossos dedos o toque de Deus.
Intercedemos pelo mundo inteiro, por todos os continentes, pela Igreja e pelo Santo Padre - já desde a viagem rezemos o terço pedindo que houvesse um Pentecostes em toda a face da Terra! - e é claro, pelas pessoas e intenções que trazíamos no coração. Com minhas lágrimas os nomes brotarem abundantes em meus lábios e eu não me esqueci de ninguém. Mas muito mais do que eu, o próprio Espírito do Senhor, aquele que ressuscitou Jesus dos mortos, foi ao encontro de cada um, consolando, falando, manifestando-se, disso eu não tenho dúvida.
Amanhã tem mais!
Shalom!