segunda-feira, 2 de março de 2009

Que Alívio!

Essas fotos estão meio narcisistas e foram tiradas ontem, domingo, por volta das 17h num frio danado. O intuito é deixar que me vejam aqueles que eu gostaria de ver e abraçar e conversar, tantos amigos, irmãos, gente da família, gente que povoa meu coração missionário. Bendita tecnologia que nos aproxima e nos regala os olhos. A mulherada, mais observadora dos detalhes, verá como meu cabelo cresceu. Estou tão parecida com a mamãe, acho!


Mas o alívio a que me refiro no título não tem nada a ver com o fim do inverno ou a outra sensação externa, ao contrário, trata-se de uma descoberta interior sensacional que nos foi feita pelo Gregório Vivaldelli, aquele biblista que esteve aqui na Comunidade em Israel no princípio de fevereiro. Meio por acaso, ao redor da mesa, enquanto terminávamos o último golinho do café, ele começou a nos falar sobre os três primeiros capítulos do livro do Gênesis: três diamantes revolucionários que só poderiam ter sido inspirados pelo Espírito Santo! Deteve-se exatamente no capítulo 2 que fala do pecado e nos falou duas coisas importantíssimas que para mim foram como raio de luz que ilumina a noite. A primeira delas, e que é sempre bom a gente relembrar ou aprender, é que quando o escritor bíblico coloca o tentador como sendo serpente, ele quer deixar bem claro com isso que esta, por ser criatura, é sempre menor do que Deus, ou seja, confirma o que S.Paulo vai dizer milhares de anos depois: ninguém é tentado além de suas forças. Se caimos na tentação é porque nos deixamos enganar. O tentador, que nos lança dardos inflamados, distorce a verdade, sempre, é esperto, astuto, pai da mentira, mas criatura.
A outra bendita explicação dada pelo Gregório veio em palavras simples assim: 'É claro que vocês sabem que Eva - assim como Adão - não representa a mulher, sexo feminino, mas a Humanidade inteira, Israel, o povo escolhido, não sabem?' Não, não sabemos, gritei eu em silencio para mim mesma! E ele continuou explicando que as mulheres não são culpadas por terem tentado o coitadinho do Adão! Esta última frase desse jeito, é minha, mas eu juro que engasguei de emoção quando ele falou isso, meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração deu pinote! Não somos nós as primeiras culpadas! A didática do texto bíblico explica a dinâmica do tentador ao tentar a Humanidade composta de homens e de mulheres, que se acusam mutuamente, mas que tem igual peso de responsabilidade e de liberdade para cairem na tentação! Eles foram criados em igual valor e dignidade e por isso a mulher não pode ser mais culpada do que os homens!
Que alívio! Que alegria! Que fantástico entender então a importância do SIM perfeitíssimo de Jesus, o Filho de Deus, Ele mesmo o SIM do Pai, o Novo Adão, ou seja a Nova Humanidade inteira, composta de homens e mulheres. Daí também me lembrar que Sto.Tomás explica que todo SIM humano é uma repetição e eco ao SIM perfeito da Virgem Maria, criatura perfeita, feita assim por causa do SIM absoluto e perfeito de Seu Filho Jesus. Não é para dar saltos de alegria? Nós não somos culpadas! Eva representa a Humanidade tanto quanto Adão!
O Gregório disse que os escritores bíblicos que vieram a seguir aos que escreveram estes capítulos da gênese de tudo, (sem querer fazer trocadilho), nem eles entenderam a revolução da inspiração divina e passaram desde então a lançar sobre a mulher a primeira culpa. E assim, da cultura semita em diante, passando por todas as raças e nações, povos e etnias, sempre foi lançada sobre a mulher esta carga de peso e de desconfiança. Machismo entranhado em todos: homens e mulheres. Na verdade, uma deformação daquilo que a Palavra de Deus veio criar, dar vida e iluminar. A tentação passou também pela deformação da revelação do que verdadeiramente aconteceu no Paraíso e do valor do Homem e da Mulher.
Graças a Deus vivemos este tempo extraordinário de graça e ação do Espírito, que toca os séculos XX e XXI, quando uma nova exegese é oferecida e a Palavra de Deus como nunca antes é rezada, lida, saboreada, estudada, proclamada e vivida!
Depois da explicação fui correndo checar e me deparei com um detalhe muito interessante: que a árvore plantada no meio do jardim é a árvore da vida e não a árvore ciência do bem e do mal (cf. Gen 2,9)... Mas isso eu deixo para amanhã, se não a overdosde de alegria é grande demais.

Mulheres minhas irmãs, minhas tias, sobrinhas, formadoras, comadres, cunhada, conhecidas, amigas, companheiras, professoras, colegas e vizinhas, alunas, mãe de carne e mães da alma, gregas e troianas, como se dizia na minha casa, eia a boa nova: a culpa original não é nossa! Que gratidão!

Shalom!

Um comentário:

soraya disse...

Queridissima Ena... sem duvida um alivio!!! na hora que li lembrei-´me da Silvia me dizendo... quem confia não desconfia!! Não se confia desconfiando.. isso não -é confiança! E do enorme peso que retirei dos meus ombros (à situação vc sabe qual foi) mas enfim.. bom saber que a mulher, o homem representa a humanidade, o individuo. E claro sempre bom lembrar que a nossa tentação, provação e dores serão sempre inferiores ao Amor que sempre nos chama a recomeçar!
Amo Você!
A foto está linda!!
Reflete exatamente a sua beleza exterior e interior!
bjs da terra dos monolitos!!