sábado, 22 de maio de 2010

Nem tão breves assim...

Estou fazendo uma experiência de desconforto imensa desde o Halleluya. Desinstalação. Há pouco em mim que esteja estabelecido e percebo-me em mudança interior e exterior. Isso é bom porque me tira das zonas de conforto e me deixa permanentemente consciente de que há o que mudar, há o que converter na direção do Amor e da Liberdade. Mudança tem sabor de novo, nem sempre doce, mas novo e isso implica em descoberta. Mudança desinstala e me faz arrumar as malas e selecionar o que é essencial para não arrastar pesos desnecessários. Falo metaforicamente e concretamente. A Comunidade está num processo franco de mudança para Haifa, à procura de instalações dignas mesmo que muito simples e menos confortáveis do que a que temos em Isifya, e isso não é fácil. Faço parte do processo como quem intercede e obedece, mas sem voz decisória. Tento manter meu coração com as janelas abertas para entrar ar fresco, disposta a ver outros horizontes daqui para frente. Tento manter minha vida aberta para descobrir novos rostos, novas rotas, outra experiência de privacidade. Não quero murchar ou morrer diante dos desafios da vida e da missão mas ser surpreendida pela esperança, sempre. Mas não é fácil. Tem horas que a gente quer somente ficar na toca.

O desconforto não diz respeito tanto à mudança para Haifa com a qual me acostumarei, com certeza, quando ela acontecer, pois já me mudei duas dúzias de vezes no decorrer da vida e isso não me põe medo. O que me põe medo é viver sem viver as cores da existência reservadas à aquarela que a mim cabe pintar. O que me põe medo é perder a graça de Deus no meio dos desafios. Temo minha fraqueza e impotência, temo minhas mesmices e mediocridades. Temo resistir aos sonhos de santidade e vôos de liberdade reservados por Deus para mim. Temo olhar a vida com olhos míopes e covardes. Temo não querer mudar e ser melhor. Temo enrijecer não só as juntas mas o coração, principalmente para a experiência comunitária. Ando reflexiva. A Comunidade me leva à Haifa e à mudança e o acidente e os três meses de prorrogação me indicam e obrigam à permanência. Interessante e até paradoxal. Mas como fica minha alma? Ela sofre mas mantem-se serena.

Também tenho tocado o sofrimento na vida de algumas pessoas e não sei se suportaria ver as demoras do Senhor e seu silencio se não tivesse sido eu mesma alcançada um dia pelo dom da presença de Deus e seu mistério, aprendendo a viver a vida sob o Seu prisma, olhar e amor. Só Nele o que não tem sentido pode ter sentido. É o mistério da vida divina na vida humana e vice-versa, numa união de amor sobrenatural...

Sempre soube que Pentecostes era vento novo, sopro de Deus, mas hoje sei e necessito que seja vendaval, revolução. Só o Espírito de Deus pode me enraizar no Amor e pacificar meu coração em todas as circunstâncias. Só Ele arranca os pesos, me faz pintar e viver a vida e ter esperança. Só o Espírito de Deus me une a Jesus Cristo.

Diz hoje Santo Hilário, na liturgia das Horas, que Jesus dá o Seu Espírito na medida em que alguém quer recebê-lo... Ah! Como quero! Como preciso! Como desejo!  

2 comentários:

Anônimo disse...

Elena estou rezando por vc.

Shalom!!
Fica com Deus.

Raiane

Viviane disse...

Amiga, irmã, companheira, confidente, mãe, tia, e etc..... só hj tive um tempinho pra ler o blog....... conte comigo! Estou "ainda" kkkkkk aqui! Bjs!