quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Se você morresse amanhã...


...o que seria dito a seu respeito?

Eu me lembro que quando eu tinha os meus 14 anos e ia para a casa da Vania estudar (ela é minha amiga mais antiga de infância, juntas começamos a estudar inglês aos 11 anos), entre passar a limpo uma matéria e outra, nas nossas conversas adolescentes, regadas a guaraná antarctica, sanduíche de presunto e rissoles divinamente feitos pela D.Creuza, sonhávamos em poder morrer só por uma semana para ver a reação das pessoas, de nossas amigas e colegas de colégio, de nossas famílias e dos amores platônicos, para ver o que cada um diria a nosso respeito. Depois da descoberta a gente ressuscitaria, e continuaria fiel somente àqueles que tivessem sido fiéis a nós. Legal a nossa fantasia, né? Cá entre nós, todo mundo já teve o seu devaneio de querer ser uma mosquinha - Vania e eu também pensávamos nisso, era melhor que morrer - para descobrir o que os outros pensam e falam de nós.

Mas essa semana eu pensei nisso tudo porque fizemos uma dinâmica entre nós irmãos de comunidade, pelo fim do ano formativo e início do próximo, na semana que vem, que foi muito interessante e que me fez voltar à adolescência e também a uma reflexão muito concreta. Só para esclarecer, não se pode esquecer que aqui em Israel é hemisfério norte, estamos no verão, e o ano letivo segue o mesmo esquema que o europeu, ou seja, começa em setembro. A dinâmica consistia em escrever bilhetinhos para os irmãos como se eles tivessem morrido, tentando pensar naquilo que mais positivamente a pessoa nos tinha marcado, partilhado, ensinado, no tempo de convivência. Tínhamos 24 horas para pensar a respeito, rezar, e colocar no papel. Todos os bilhetes foram colocados juntos num envelope e entregues para o respectivo 'morto'. Com os bilhetes em mãos, era a nossa vez, agora, também por 24 horas, de ler os bilhetes e rezar a respeito do que havia sido dito pelos irmãos. No terceiro dia, que foi o da partilha de todos, foi tão rico!
A meu respeito, o mais legal foi ver as pessoas me perceberem como uma pessoa livre. Diziam mais ou menos assim: 'eu sinto muita saudade sua porque sempre te via como uma pessoa livre em Deus, como uma pessoa que sabia ser filha de Deus...'. Mas esta dinâmica que acabou aproximando as pessoas e nos obrigou a uma reflexão bem concrea a respeito do outro, me gerou uma grande questão: como eu quero ser lembrada? o que vou deixar para trás no fim de minha vida? que sementes tenho plantado no hoje da minha existência?

Perguntas duras de serem respondidas com sinceridade e honestidade, mas que revelam, segura e concretamente não os nossos discursos mas os nossos atos de amor plantados pelo caminho.

Se eu e a Vania estudávamos? É claro que sim! E muito! Sempre fomos boas alunas e boas porque sabíamos sonhar com tanta inocência. Estas duas aí de cima somos nós, no Rio, em janeiro deste ano. Viva o dom de ter e cultivar amigos!

2 comentários:

vania furtado disse...

Ena querida! Como é bom lembrarmos das nossas (muitas) conversas, brincadeiras e sonhos. Não sei quem lembrará de quem, mas vc sempre é lembrada de um modo especialmente carinhoso, como a irmã que sempre desejei ter. Saudades e take care :)

Anônimo disse...

QUERIDA ELENA, NUN CA PENSEI E ACHO QUE NÃO VOU PENSAR NO QUE VÃO PENSAR DE MIM DEPOIS DE MINHA MORTE...
O QUE INTERESSA É O QUE
D E U S
VAI PENSAR DE MIM, POIS DISSO VAI DEPENDER MINHA 'VIDA' FUTURA. COMO SEI QUE ELE É SÓ AMOR E MISERICÓRDIA, EU ME ENTREGO SEM MAIORES PREOCUPAÇÕES, GRAÇAS A DEUS.
MAS PARABÉNS, PELO EMPENHO QUE VOCÊS FAZEM COMO FORMAÇÃO PARA A VIDA CONSAGRADA. DEUS AS ABENÇÔE E PROTEJA SEMPRE E EM TUDO. AQUI TUDO BEM.SAUDADES DE SUA TRINITY